Humor e humilhação



Em termos mediáticos as modalidade de dominação mais exploradas no humor são a sátira ao poder (e aos poderosos) e a implosão pelo riso dos que se levam demasiado a sério (p.ex. o ataque ao propalado politicamente correcto das minorias). Tal como o sexo se alimenta das fantasias de dominação (com as duas perspectivas que isso comporta), o humor não passa sem o exercício da humilhação, ainda que essa humilhação se possa ficar pelo calibrar de outrem à capacidade de auto-ironia ou à domesticação de um poder arbitrário. Tudo se decide no que há de real nessas fantasias: 1) pela sagacidade com que o humor usa a posição dominante (a audiência e o talento são o poder do humorista); 2) pela permeabilidade/fragilidade de quem é visado. Na verdade, não sei como reagir a este momento de humor (em cima), francamente "ácido", não tanto pelo tema da prisão iminente, mas pela co-presença da visada (visilvelmente em busca de um buraco). Saber que Paris Hilton é uma ricaça mimada, que nunca fez nada na vida, dada a exibicionismos sexuais e outros, confere à plateia um momento de justiça/vingança (a ética do trabalho junta-se a algum moralismo sexual). Hesitamos, entre o constrangimento e o riso: entre o talento humorístico e a fantasia da humilhação, por um lado, e, por outro, o que pode haver de real nas consequências pessoais dessa fantasia motriz.

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