Correia de Campos: autor moral?

"O Ministério da Saúde ordenou ontem uma averiguação às circunstâncias da morte de uma mulher de Vendas Novas, que faleceu terça-feira durante o transporte para o Hospital de Évora. (...) A mulher residia próximo do centro de saúde de Vendas Novas, cujo Serviço de Atendimento Permanente (SAP) fechou no passado dia 28 de Maio no âmbito da requalificação geográfica dos centros de saúde."
O fraco eco que o fecho de serviços de saúde tem tido na opinião nos media de referência não é alheio a este singelo facto: quase todos os opinion makers residem nas cidades onde podem escolher entre vários serviços de urgência. Portanto, estão-se marimbando. Em Portugal só os problemas urbano-burgueses parecem comover a referência. É pena. Tanto mais que o impacto desta gestão dos serviços de saúde, um convite deferido a migrações concentracionárias nas sub-urbes, atenta olimpicamente contra qualquer ideia de ordenamento territorial. Se a solidariedade pouco vale, talvez um mínimo sentido pro-activo de ordenamento fosse relevante para não cairmos na fácil tentação de isolarmos tanta indignação por aí em meras expressões de bairrismo.

P.S. Que as averiguações sejam feitas pelo Ministério da Saúde é uma coisa a dar para o risível. Tudo é casuísta. Consequências (nas) políticas: nenhuma.



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