Bodies that Matter*

"O corpo é o veículo do ser no mundo, e ter um corpo é, para um ser vivo, juntar-se a um meio definido, confundir-se com certos projectos e empenhar-se continuamente neles." Merleau-Ponty, Fenomenologia da Percepção.
P.S1. Declaração de interesses: a ser alguma coisa, antes de construtivista seria fenomenologista. Não concebo Foucault sem Merleau-Ponty: o corpo por que nos ata ao mundo precede qualquer possibilidade de pensar esse mesmo mundo. Ademais, nas infinitas versões possíveis para descrever, perceber e construir o real, a existência corpórea (não há outra) impõe as suas formas ao pensamento, ela forja as metáforas de que dependem as mais básicas operações intelectuais: "Mas que sentido poderia ter a palavra “sobre” para um sujeito que não estivesse situado por seu corpo ante o mundo?" (M-Ponty).
P.S2. Além da contagem de indivíduos envolvidos, uma das distinções possíveis entre a masturbação e a relação sexual poderá bem estar nesta singela asserção "duas mãos [do mesmo sujeito] nunca são ao mesmo tempo tocadas ou tocantes uma em relação à outra" (M-Ponty). Ou seja, sempre que tocamos outra parte do nosso corpo, sempre que nos tocamos, há a parte que toca e a parte que é tocada. Os papéis podem reverter-se, mas a simultaneidade é impossível para a consciência. Já o sexo, por envolver mais que um corpo -- ao que consta -- permite essa simultaneidade: tocar e ser tocado numa mesma fracção de tempo.

*Título roubado a Judith Butler.

Comments:

Enviar um comentário

Comentários



<< Home