Madeleine

"O psicólogo Luís Villas-Boas acusou, esta segunda-feira, de irresponsabilidade e negligência os pais da menina inglesa desaparecida quinta-feira de um complexo turístico da Praia da Luz, perto de Lagos, apesar de compreender a angústia dos pais. (...) Este tipo de atitude não é portuguesa, até porque não temos história de raptos nem de situações desta violência, sendo que os maus-tratos e a negligência em Portugal reduzem-se normalmente aos familiares."

Há pessoas com uma notável sensibilidade humana. Os pais da criança neste momento sofrem em angústia ante a forte possibilidade da Madeleine ter sido raptada por uma rede de pedófila. E o que é que, quando questionado pelos media portugueses e britânicos, nos tem a dizer o ilustre psicólogo Villas-Boas?

Naturalmente, havia que começar por culpar as vítimas. Não discuto a possível negligência dos pais. Mas tenho séria dificuldade em perceber que raio de psicólogo puxa pelos galões e faz declarações públicas com esta oportunidade. Pensará porventura que não chega a culpa inevitavelmente sentida pelos pais numa circunstância destas? Há que bater enquanto o ferro está quente, que se lixe o desespero e a vulnerabilidade emocional dos pais: é a pedagogia à queima roupa. Isto não é de um psicólogo ou de um educador, mas de um carrasco egocêntrico, inoportuno e profundamente insensível.

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