Louvor e inveja

Deixou-me a pensar esta troca entre a f. e a Laura Abreu Cravo. Ali se fala no que haveria de homofobia numa suposta dificuldade das mulheres para reconhecerem qualidades umas nas outras.

Intuo que se fala de algo bem familiar ao que ia nesta confissão do Julinho, lida há dias atrás:
"os [autores de blogs] presumivelmente masculinos tendem a injectar-me venenosa inveja, e os presumivelmente femininos deixam-me maior margem para refastelada admiração."

Seja no reconhecimento da escrita , seja na valorização de outras qualidades, parece que somos vigiados por uma dimensão de "competitividade intrassexual". Creio que este pasto para a inveja assume, culturalmente, cambiantes diversos nas relações entre mulheres e entre homens. Ainda assim permanece a persuasão de um corpo de valores que fomenta competitividade no olhar para o mesmo sexo.

Concordo por isso com a Laura Abreu Cravo quando intui um condicionamento (conquanto o tenha cultural) que, pela subjacente relação de inveja, constrange o elogio público de uma mulher a outra. A réplica da f. parece-me inteiramente perspicaz, mas cabe distinguir o reconhecimento daquilo que chama 1) homofobia, enquanto constrangimento hegemónico e que, portanto, que não deixa de estar lá e 2) a sua capacidade pessoal para se furtar a esse constrangimento.

Este interessante exercício a que aderiram vários homens, ou este, é instrutivo dessa postura que tem tanto de pós-homofóbica (reconhecer outros homens bonitos) como de ego-descentrada (reconhecer que os cabrões são mais infinitamente mais bonitos que eu - isso é que dói).



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