Alegre, Roseta e outros umbigos

Eu gosto do umbiguismo. Não é por acaso que tenho um blog que corteja a confessionalidade, nem é por acaso que sou interessado leitor dos intimismos por aí afora. Num sentido mais vasto gosto de ver as razões pessoais valorizadas na vida pública, os bastidores onde se contam aquelas outras coisas por que as pessoas se movem (esqueçam a indústria tablóide, isso é outra conversa).

Portanto, tinha todas as razões para achar imensa piada a gestos políticos como os coreografados pelas candidaturas de Manuel Alegre e Helena Roseta. Ilustres militantes de um partido que, vendo defraudada a ambição pessoal de serem "protegidos" do aparelho a uma eleição, ressentem, batem com a porta e seguem a via independente. Tudo bem. Excelente, mil louvores. Agora o que é risível é que depois venham mascarar as suas razões pessoalíssimas de uma luta pela cidadania contra os partidos -- onde estavam no dia anterior. Temo que esta politização populista do amesquinhamento do ego se possa transformar numa pandemia. Daqui em diante sempre que um socialista receber uma tampa não é improvável que crie movimento cidadão contra o predomínio das gajas boas na vida social portuguesa.

P.S. Vamos ver se Roseta mantém este discurso risível de uma cruzada contra os partidos. Dizem que dá votos.
P.S. Até determinada altura acreditei que Alegre genuinamente lutava por um projecto de esquerda contra o centrão do PS. Depois da campanha das presidenciais passei a tê-lo como uma anedota populista, talvez ligeiramente à esquerda do PP.



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