The Prestige



No seu mais recente filme, The Prestige, Christopher Nolan entretece a trama em torno de uma épica rivalidade entre dois ilusionistas. Impedido de trazer aqui alguns elementos que por efeito de antecipação narrativa estragariam o vosso filme (dos que ainda contam ir ver), irei cingir-me a imagem que ressalta icónica da dedicação obsessiva que ali se trata: o mágico chinês que há anos finge uma deficiência para poder encenar no seu espectáculo, de forma convincente, um truque particular envolvendo um aquário e um peixe cor-de-laranja. É esta a ideia que o filme procede: a vida como uma encenação em nome de um momento cénico, em nome de uma persuasão performativa de monta. Na imagem acima, despudoradamente roubada ao rebelde de Nicholas Ray, vemos Natalie Wood abraçar um James Dean cuja cara dá testemunho de sério esmurramento. No olhar dela representa-se a afectação lírica em termos só concedidos aos sovados da vida. Há ali uma espécie de charme, talvez uma forma de irónica sedução, devida, pois claro, à sistemática incorporação de murros. A verdade é que um olhar daqueles merece bem uma vida cuidadosamente dedicada a apanhar porrada.



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