O regresso



Anderson está a caminho, não só para gáudio dos portistas mas para deleite de todos quantos apreciam futebol com um toque de realismo mágico. Não há que duvidar: por esta ordem de projecção futura, Anderson, Quaresma e Simão, constituem a preciosa trindade artística da Liga Bwin (Nani tem talento, mas ainda não me convenceu cabalmente).

A importância dramática de um ressurgimento de Anderson-pós-carrinho-de-Katsouranis prende-se naturalmente com as suas indesmentíveis virtudes individuais. Mas é mais que isso. Anderson vai permitir resolver um problema táctico que, para minha confessa surpresa, o Porto conseguiu mais do que disfarçar até Dezembro. Eis o problema: Ante equipas de calibre similar e, portanto, com um meio campo forte e virtuoso, o 4-3-3 é uma estratégia de óbvio risco: a miséria da perda de domínio acossa. Pior se torna se algum dos elementos de meio-campo estiver fisicamente fragilizado (é o caso de Lucho). No plantel do Porto há três opções para reforçar o meio-campo nos ditos jogos grandes numa passagem a 4-4-2: Ibson, Jorginho e Cheh. Nenhuma solução se tem revelado boa. Jorginho sem continuidade é um jogador completamente atado de confiança, Ibson além das lesões que o assolam dá amiúde provas de insuportável imaturidade (não prescinde em circunstância alguma do seu gesto técnico preferido: o drible), e Cheh é pior médio do que lateral esquerdo. Ainda assim Cheh foi uma solução que se revelou assaz satisfatória, por exemplo, em Stanford Bridge, situação em que, dada a lesão de Bosingwa e a migração de Fucile para a direira, Ricardo Costa pôde regressar a defesa esquerdo, um lugar onde foi muito feliz no tempo de Mourinho. No Jogo do Sporting, dadas as lesões de Ibson e Bosingwa, talvez não tivesse sido má ideia repetir a fórmula usada contra o Chelsea, assim evitando o embate desigual de Moutinho, Veloso, Nani e Romagnoli ante Assunção, Meireles e Lucho. Em todo o caso, qualquer solução que Jesualdo buscasse seria sempre da ordem do precário. Imaginem pois o consolo que não será quando aparecer um número 10 que, além de distribuir jogo sumptuosamente, sabe jogar nas costas do ponta de lança e faz a pressão alta sempre ao sprint. O futuro campeão nacional discute-se no perónio de Anderson.



<< Home