10 minutos

Não é sequer honesto eu discutir as opções de Scolari quando na verdade me estou a marimbar para a sorte da selecção de todos vós. No entanto, a selecção portuguesa interessa-me, por isto: eu gosto de futebol e o critério da nacionalidade tem o sortilégio de reunir dois jogadores que nos dias que correm são motivo do mais sério alumbramento: Quaresma e Ronaldo. Dois jogadores que, ironicamente, pelas suas posições em campo, praticamente só comunicam entre si através de centros. Faz lembrar a lenda que se recupera naquele filme com a Michele Pfeifer sobre o lobo e o falcão -- passou seguramente umas 10 vezes na "Sessão da Tarde". Agora até podia dissertar sobre o momento do eclipse forçando a linha poética a propósito golo que Quaresma deu a Ronaldo passado Sábado, mas não. Sou sério.

Quaresma jogou 10 minutos. Não sei se isso é bom ou não para Portugal. Tanto se me dá. Eu, como muitos de vós, apreciadores do jogo, só queria ver o Quaresma e o Ronaldo a jogar. Era o meu programa para hora e meia. O Simão, que é um enorme jogador, podia fazer 10 golos que eu dava o programa por estragado à mesma. Note-se a sinceridade. Interessam-me coisas da ordem do genial e o Simão é apenas muitíssimo bom. Não mais desmentirei todos quantos vêem no Scolari um visionário, nem mais procurarei beliscá-lo como insigne treinador por respeito à vossa sensibilidade e à gratidão que lhe têm os demais portugueses, naturalmente orgulhosos por façanhas recentes. (É pouco provável que eu cumpra). Curvo-me ante tamanho reconhecimento. (Minto). Mas pensem nisto: um gajo que vos dá 10 minutos de Quaresma-Ronaldo não pode ser assim tão boa pessoa.



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