Sábado

Temo que o (quase) fim da experiência do Sim no Referendo me comova mais do que aquilo que seria justificável. Sou cronicamente dado a lamechices, facto. Mesmo assim é absurdo, convenhamos.
A circunstância de partilhar ideais advogando-os em insólito colectivo, numa gramática de lealdade -- que se sabe circunscrita no tempo --, alimenta uma espécie de fé nas pessoas (que ao limite poderia independer da causa em questão, bem sei). No entanto, tudo se conjuga sem assombro: causa e forma.
Não somos melhores por aquilo que defendemos. A recursividade é outra: defendemos leis e estruturas que, acreditamos, nos ajudam a ser mais justos e melhores enquanto sociedade. E isso permanece na serenidade de um regresso.
As convicções inabaláveis, pessoal ou colectivamente defendidas, são as frágeis certezas da democracia .
É assim que é justo. Até Domingo.



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