FCP: O - Estrela da Amadora: 1

Foi o grande enigma da primeira volta da Liga: o Porto de Jesualdo praticamente não se ressentiu na lesão de Anderson. Com suprema arrogância a equipa continuou a jogar como se a lesão do puto prodígio não fosse tema de hecatombe, continuou a jogar como se a dependência até aí patenteada nada significasse, virou-se para Quaresma, acertou com Lucho e Meireles subidos no miolo, e seguiu esmagando. Por muito que tenha agradado às hostes portistas tamanha prova de resiliência, podemos supor o abalo moral e epistemológico que Anderson não terá vivenciado ao perceber-se mais prescindível do que alguém ousaria supor. É como uma ex que continua feliz com outro sem abalo ontológico que se veja: esfrangalha a a auto-estima.

Não tenhamos dúvidas, o maior capital que o Porto tem é o jogo de Anderson e a sua auto-consciência da sua genialidade: é essa auto-consciência, essa auto-estima ao divino futebolístico nele guardado que lhe permite explanar-se como o futuro melhor jogador do mundo. Agora que ele está aí a estourar em adivinhado regresso épico, a equipa esforça-se na mensagem: "Anderson, precisamos de ti". Pelo que daí pode vir, o clamor simbólico deste apelo vale bem a eliminação na taça ou os pontos doados. Que o Porto tenha aderido à semiótica de longo tempo, perdendo aqui e ali, a bem do porvir Anderseniano é algo que muitos fracassarão perceber. Talvez uma economia ampla do signo os possa esclarecer em breve, basta para tal que o simbolismo do divino regresso venha vivificar nos pés de Anderson.



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