Coisas simples: para eventuais indecisos

1 – Creio que todos concordamos: em Portugal há demasiadas gravidezes indesejadas. Estando elas, como sabemos, na origem das práticas abortivas, deveriam ser estreitadas a um mínimo. Tal estreitamento, parece consensual, passa por coisas como a promoção da educação sexual, pelo acesso aos contraceptivos e por apoios vários que ajudem a tornar a maternidade não esperada uma possibilidade tendencialmente mais acalentada (isto implica confrontar carências económicas, a pressão do mercado de trabalho, o estigma da maternidade independente e a uma série de condições que hoje fazem da maternidade/paternidade um desafio tantas vezes heróico).
2- A diminuição do fenómeno da gravidez indesejada, assim sendo, não depende tanto de um um certo assistencialismo voluntário ─ sem dúvida, uma salutar expressão da vitalidade sociedade civil. Requerem-se sobretudo transformações sociopolíticas que façam cerco às condições que, antes e depois da concepção, concorrem para a existência de gravidezes não desejadas.

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