Beijo


"I have to thank my incredible wife Tammy and our four children, Beckett and Bailey and Johnnie Rose and Miller."

O beijo que Melissa Etheridge -- Óscar para o melhor tema musical -- deu à sua mulher antes de subir para o palco corresponde a um momento raro e paradoxalmente provocatório na visibilidade contemporânea. Nas mediascapes contemporâneas o beijo lésbico vem ganhando acrescida visibilidade, no entanto tudo se passa no âmbito uma visibilidade ancorada nos seus termos: uma transgressão encenada que passa uma imagem de ousadia e sofisticação ao mesmo tempo que corresponde ao lugar que o erotismo lésbico detém no imaginário masculino/falocêntrico. O beijo entre Melissa e "Tammy" não foi assim, não queria ser provocativo ou insinuante para gáudio de outrem. Foi uma expressão do amor e da cumplicidade erótica que pode unir duas mulheres. Só. Que nessa coragem social não houvesse deliberada provocação - apenas a ternura das coisas simples num momento memorável - consistirá para muitos a suprema provocação.

O que não implica que goste da música.



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