Porto: 0 Atlético: 1

O que nos distingue:

Não somos tão ubíquos na desgraça que com com ela nos confundamos, nem tão ignaros dos sortilégios que não possamos acolher a derrota com serenidade. Serenidade triste, é certo. É nisto, mais do que em qualquer fruteira perdida aos pés do Atlético, que jaz o assombro nacional. A única Selecção Nacional com espessura sociológica é a dos abutres do Porto. Clube ícone de um heroísmo consequente, mitologia imprópria para a massa onírica dessa prístina portugalidade que só Scolari concede madura: o quase lá. Pessoa falava do vindouro Portugal, dizendo: “Extraviámo-nos a tal ponto que devemos estar no caminho certo”. É uma máxima para a vida, ideal para encaixar maleitas e para uso diverso no caos pessoal (sei do que falo). No Porto, no futebol, pensa-se de outra maneira. Dizemos: "vamos voltar para trás e ver onde nos fodemos". É sempre assim. E nisto o vosso assombro diluído no compasso do "salta atlético, olé!". O medo do amanhã perpassa no eco da casa dos leitões.



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