Homens que "SIM"

Os Marcelos e os Césares que convictamente menorizam as mulheres, retirando-lhes a capacidade de decisão sobre uma interrupção voluntária da gravidez (ao mesmo tempo que se comprazem com a costumeira clandestinidade) como que brandem o slogan: “Mulher do meu país, eu sei o melhor para ti”. Ora, este tipo de argumentação paternalista/caridosa cumpre a função de instigar muitos homens provocando o melhor dos seus “instintos feministas”.

Vi em tempos uma T-shirt que muito me cativou. Envergava-a, justa, uma belíssima mulher. Tinha uns dizeres que não decifrei à primeira. Mas, curioso, insisti. De facto, é interessante notar como surgiu há uns anos a moda de se exibirem frases junto ao peito. Essa moda merece-me algumas reflexões. Primeiro, as frases escritas no algodão (ou Lycra) como que convidam o olhar a demorar-se nos contornos do corpo, uma espécie de dois em um, uma deliciosa forma mostrar, literalmente, como é possível dar corpo ao texto. Em segundo lugar, sugere-se a ideia de que as palavras que nos são queridas podem caminhar junto ao coração, sede simbólica dos afectos (lamechas as it might be). Finalmente, somos brindados com pretextos para conversas, alguém que assim “veste” determinadas afirmações acicata, frequentemente, a curiosidade de quem as lê, seja na rua, seja nos espaços de proximidade. Uma vez interpelei um tipo cuja T-shirt dizia solene: “Eu Acredito”. Adivinhei-o um místico. Enganei-me. Revelou-me a sua convicção de que o Benfica seria campeão naquela mesma época. Mau exemplo. Mas voltemos à tal T-shirt que tanto me fascinou.

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