Babel e os críticos

Vejo algo estupefacto que as apreciações do Y (onde sempre busco com especial afinco a hábil pena do Luís Miguel Oliveira) foram moderadamente simpáticas com o Scoop (provavelmente o pior filme que vi em 2006, e deus sabe como me esforcei). Apreensões subjectivas, claro está. Não vou nessa de desqualificar os críticos no mesmo movimento que afirmo o meu gosto diverso, uma leviandade que se tornou moda, parece-me.

Penso que essa pulsão de maldizer os críticos expressa sobretudo uma ansiedade de influência (apropriação manhosa de Harold Bloom). Explico. A necessidade de vilipendiar "os críticos", para daí afirmar uma leitura diferente sobre a qualidade de um filme, deve a uma tácita atribuição de autoridade. Ou seja, "porque se me torna insustentável divergir de quem tem influência, a minha opinião só sobrevive se fizer ruir os fundamentos dessa mesma influência: não consigo aguentar o mano-a-mano".
Portanto, nesta perspectiva, se eu preciso maldizer a "crítica" de cada vez que dou opinião oposta da que ganhou hegemonia na crítica influente (para um determinado contexto) é porque lhe confiro uma autoridade a que ela, feita como é de olhares pessoais, jamais se arroga.

Dito isto, não deixa de causar estranheza o consenso com que os críticos do Y peroram sobre a nulidade do Babel. Intuo estarmos perante um daqueles casos em que a saudável recursividade entre o gosto e a ideologia se cristalizou tornado-se numa via de sentido único. Eu cá gostei muitíssimo e talvez tenha a dignidade de explicar porquê em post ulterior (agora estou com pressa).



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