A todos desejo um feliz 2007

A pena de morte
Moonwalk
O comovente ocaso da fé bélica
José Manuel Fernandes
Sim, porque naquilo do Iraque o lunatismo do apelo às granadas foi reduzidíssimo.
Mais Prima

Merche: só para portugueses
As melhores transições que alguma vez vi

D'OJogo
Admitiu numa entrevista a um jornal espanhol que o modelo que está a utilizar no Chelsea não é o que lhe agrada mais mas sim o que lhe permite mais vitórias no campeonato inglês. Nesse caso, qual das suas equipas melhor coincidiu com os seus gostos pessoais?
- A minha melhor equipa foi a do FC Porto que ganhou a Taça UEFA, o FC Porto que nós construímos no nosso segundo ano, em 2003. Não me recordo de ver uma equipa defender tão bem ou a definir tão claramente os sítios em que queria defender. Fazia as melhores transições que alguma vez vi. E isto tendo em conta o que, ao mesmo tempo, se conseguiu ao nível individual, que foi fazer com que jogadores que ninguém conhecia assimilassem esses princípios. Recordo que eles não tinham estatuto quando chegaram ao FC Porto; Nuno Valente, Paulo Ferreira, Maniche... O próprio Costinha ainda não se tinha imposto no futebol português. Progressivamente, é uma equipa que ganha a Taça UEFA, a Liga dos Campeões e que faz cinquenta por cento da selecção portuguesa vice-campeã da Europa e semi-finalista no campeonato do Mundo. É um grupo de jogadores que passou do nada à Lua; uma equipa que partiu absolutamente do zero, em França, na pré-época. A forma como cresceu foi absolutamente fantástica. Se me perguntar se a equipa do ano seguinte era melhor, talvez fosse. Já tinha melhores jogadores, que já estavam numa fase diferente do seu processo de formação; e contratou-se mais um ou outro, o McCarthy, por exemplo, que veio trazer mais valor. Se me perguntar se o Chelsea de agora é superior, também digo que sim, porque tem melhores jogadores, mas no conceito de equipa, a construção que mais prazer me deu foi a que me trouxe o primeiro campeonato e a Taça UEFA.
- E pensa adaptar o Chelsea ao tal futebol de que gosta, um dia destes?
- O campeão inglês não teria hipótese de ser campeão em Espanha e o campeão espanhol não teria hipótese de ser campeão no campeonato inglês. Quando há diferenças culturais tão acentuadas, é muito, muito importante construir-se uma equipa adaptada à realidade. Depois, quanto mais tempo se trabalha e quanto melhor se torna, deve ser flexibilizada de forma a poder defrontar adversários de diferentes escolas. Mas acho que, como está, o Chelsea é o melhor para ter sucesso na Premier League. Ganhámos dois campeonatos e estamos num terceiro ano em que, sem querermos perder as características que nos permitiram vencer em Inglaterra pretendemos fazer algo mais a nível europeu, daí sermos uma equipa diferente, mais dominadora, mais controladora da posse da bola e dos ritmos do jogo. O facto de jogarmos em simultâneo com Makelele, Essien, Lampard e Ballack fez-nos uma equipa muito mais dominadora. Ao mesmo tempo, mais lenta, com transições menos efectivas, menos poderosas, mas uma equipa com muito mais controlo do jogo e dos ritmos. Isso talvez nos dê melhores condições para sermos bem sucedidos a nível europeu.
Um solene fracasso
Reset
Out of Season, é a única forma consistente de enfrentar as festividades de época.
Pousio
Claustrofonofobia
Trejeitos de Publish
Assim às primeiras eu diria que escrever na blogosfera - um meio que visa uma variedade de públicos e convida a uma diversidade de tons - só pode fazer bem a uma escrita demasiado especializada, ensinada a sobreviver num meio fechado (a academia será a expressão mais óbvia desta tendência). Estamos, creio, perante um movimento de retorno dos tais becos evolutivos de que Darwin nos falava.
p.s.Esta reflexão não negligencia aquilo que são os atractivos imanentes às idiossincrasias estilísticas, muito menos constâncias de tom que são a marca, o mérito e a identidade de muitos blogs.
Alumbramento
'Na verdade, basta rever uns parágrafos do Don Quixote para sentir que Cervantes não era estilista (pelo menos na presente acepção acústico-decorativa da palavra) e que lhe interessavam demasiado os destinos de Don Quixote e de Sancho para se deixar distrair pela sua própria voz.' Borges
Tudo se passa como se, sem estilo ou sequer Quixote, nos deixássemos distrair por uma triste voz. Uma voz que é nossa pela ausência, pela falta de destinos que nela se concebam verosímeis.
Perguntar não ofende
Eva
O meu conceito de sofisticação
Bond: "Vodka Martini"
"Shaken or stirred sir?
"...Do I look like I care?"
Solispsismo radical
2- Bom perceber que muita gente se deu enfim conta do medíocre que era CoAdriaanse. A exigência de um futebol moldado pela espera do sublime jamais poderá permitir que se chame excelente a um tipo porque ganhou um campeonato naqueles termos. Fico com a melancólica sensação de não o ter insultado o suficiente.
3- Qualquer tentiva de corrupção nos anos em que o Porto se sagrou campeão representaria, do ponto de vista económico, um investimento supérfluo. Nos anos de Mourinho, então, seria o maior erro de gestão que a memória pós-revolução industrial consegue alcançar. Investimento redundante, portanto.
4- Octávio Machado apareceu triunfante: agora as pessoas começam finalmente a perceber o que ele andou a denunciar, disse. Concedamos: a genuína incapacidade de articular duas ideias em muito favorece a invencibilidade das suas profecias.
5- Pinto da Costa é um homem com azar aos amores, o que, primeiro, permite explicar a sorte ao jogo (quais árbitros!) e, segundo, ao padecer de uma maleita romântica deveria merecer de todos a maior deferência. Ora imaginem - só pela iluminação provida pelo absurdo - que as vossas/os exs se reuniam num congresso cuja ordem de trabalhos era a vossa pessoa. Imaginam as actas, assustador, não?
6- Acho sinceramente que as investigações devem ir até ao fim e a provar-se, entre outras coisas, a autoria moral da agressão, Pinto da Costa não tem como não se demitir. Choque a que eu não teria como sobreviver, mas isso vale pouco.
Colaboracionismo

Reuteres: Iran's President Mahmoud Ahmadinejad (L) welcomes participants of a Holocaust conference in Tehran December 12, 2006.
De que vale a vantagem do tempo?
Até tremo
"No lugar dele demitia-me."Miguel Sousa Tavares, hoje n'A Bola
Gracias
O meu sincero agradecimento para aos que nomearam o Avatares na votação diligente e profissionalmente organizada pelo blog Geração Rasca. Antes de mais, os meus parabéns aos vencedores: os mais votados em cada uma das diversas categorias. Nesse escrutínio os eleitores agraciaram-me generosamente com o 7º melhor blog masculino, o 10º melhor blog e o 10º melhor blogger. Não que considere estes momentos classificatórios essenciais para um mapeamento do meio - pode até resultar numa cristalização de referências que moleste a descoberta de outras penas (emergentes ou menos conhecidas) - mas sempre é um evento que tem artes de gala, dá para conhecer algumas tendências (antropologicamente falando) e deixou-me, cabe dizer, deveras lisonjeado.Remissão
Nojo
Que o Holocausto não possa continuar a ser vindicado para dar cobertura às derivas do Estado Israelita - naquilo que frequentemente surge como oportunista prostituição da memória do sofrimento - é, sem dúvida, um importante argumento político do nosso tempo. Mas daí ao negacionismo vai um imenso salto de estupidez e crueldade. Os acólitos do revisionismo negacionista colocam-se na directa genealogia simbólica dos senhores de Auschwitz. Tristíssimo.
Eva



Atento, o Ricardo sugere-me este lampejo do momento onde, a seu ver, Eva mais cintila. Ante tais frames tudo o que eu dissesse seria despiciendo.
P.s. Miguel, se me é possível dar palpites à linha editorial , parece-me o momento para, literalmente, re-presentificar o nome do blog consagrando-o à mitologia fundadora (assim em jeito de recuperação natalícia).
Royale

Quanto ao alardeado erro de Casting, Daniel Craig calou-me bem caladinho.
A menina do gás
Alternativas
Observatório
Apdeites
Google Reader (indexação pessoal)
Menos
Discurso
"O discurso é linguagem que já fez história"*Convertendo a conversa para terrenos inusitados: a linguagem ou a estética do celibatário (não apostólico, involuntário), do abandonado, raramente tem a maturidade/materialidade de um discurso; pelo contrário, é uma poderosa linguagem contra-discursiva. O mais mais conhecido efeito do "pobre de mim que ninguém me quer" é suscitar um estado contrário ao que revela: expressa uma disponibilidade, expressa uma carência, convida à cumplicidade literária, convida a caridade romântica e convida o enlevo maternal com que muitas mulheres desenham como seu aquele que amam (sim, o prestígio do abandonado tem género). Portanto o "pobre de mim", ao contrário do discurso que forja um regime de verdade, alimenta um regime ilusório que oferece o flanco à sua própria expiração. A linguagem capaz de história tem um poder afirmativo e não passa sem a tecnologia de persuasão, historicamente ratificada, de mesmo sinal. Ler o texto intimista (em sinal aberto) sem estes matizes, podemos supor como ilustração, confere uma equivocada transparência: onde se negligencia a existência de linguagem que não fez história -- ainda que conte uma história verídica.
*Ou seja, (falava-se do Orientalismo de Said) o discurso não é uma mera representação que dispense o teste de materialidade/realidade, mas uma representação efectiva que opera com sucesso sobre a realidade, tornando-a dócil, ao mesmo tempo que cria uma malha interpretativa que domestica a exuberância dos termos da sua alteridade .

