Isa

Pouco dada a excessos, desistiu das relações no momento em que as percebeu irremediavelmente carentes de um excesso de zelo.

Citação em jeito de balanço da semana

Plutão «foi despromovido à divisão de honra».

Achado tardio

Alan Stoleroff, judeu, professor de sociologia no ISCTE, Lisboa, 21 de Julho de 2006.

Quando pelo esforço de justiça a despeito da proximidade "renegamos" os "nossos".

Mateus

Não sei o que é mais patético, se o caso Mateus (que no fundo mostra que todas as equipas querem começar a época com uma vitória fácil), se a cobertura absurda que a comunicação social lhe tem dado.

Natura

...porque na verdade faço por me dar com pouca gente (o que se torna dificil, dado ser uma pessoa extremamente simpática).

É por aí

Do Público: O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Massimo D"Alema, levantou ontem a hipótese de uma força internacional, no âmbito das Nações Unidas, ser proposta para a Faixa de Gaza, se a missão no Líbano for bem sucedida.
"A ideia de enviar tropas da ONU para a Faixa de Gaza tem sido pensada. Eu acho que, se as coisas correrem bem no Líbano, um processo semelhante pode começar", salientou D"Alema, numa entrevista publicada pelo jornal israelita Ha"aretz.
Em resposta aos comentários do ministro italiano, o Governo de Israel fez saber que não põe de parte esta hipótese, apesar de, por norma, não aceitar tropas internacionais nos territórios ocupados.

Lara

A cada violência ontológica que a arrombou pôde sentir que seguia como que por interposta pessoa. O nome e o corpo, vagamente resilentes, conluiem ainda a ficção de ser Lara.

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Síndrome de Estocolmo

Impressiva a história de Natascha Kampusch: uma rapariga austríaca que após ter sido raptada aos 10 nos, permaneceu até aos 18 presa na cave da casa do seu raptor. A propósito deste caso, dou por mim a extrair implicações de toda a ordem acerca da história conceptual do "Síndrome de Estocolmo" (aqui em Inglês). Este síndrome, exaustivamente abordado na sétima arte (lembremos, por exemplo, o "A Perfect Wolrd" do Clint Eastwood), refere o anelo da vítima para com o seu algoz.

Para um amigo

"I see it all perfectly; there are two possible situations - one can either do this or that. My honest opinion and my friendly advice is this: do it or do not do it - you will regret both."

Søren Kierkegaard

O país dos fellatios a Scolari

Para compreendermos um pouco melhor a base social de apoio a figuras como Scolari ou Ricardo.

1º lugar Floribella,
2º lugar Mickael Carreira
3º lugar Juanes
4º lugar André Sardet
5º lugar D’ZRT
6º lugar FF
7º lugar José Cid
8º lugar Tony Carreira
9º lugar Paulo Gonzo
10ºlugar Santamaria

De justição e não de proximidade

Não sou anti-israelita. Pelo contrário. Tenho pelo sonho israelita uma absoluta admiração. A minha escolha (é uma escolha) de defesa dos palestinianos no conflito entre palestinianos e isrealitas (o conflito israelo-árabe é uma outra coisa) é de justiça, não é de proximidade. Até porque recuso a lógica racista da proximidade.

O que aqui diz o Daniel Oliveira não é tão chão como possa parecer. Nesta história (nesta guerra) há muita gente que, talvez para fugir a um juízo sobre a bondade da investida israelita, se refugia no memorando "Israel é uma democracia", e daí, por óbvia contraposição de regimes, logo se compadecem com as dores de um Estado que cumpre as prerrogativas da democracia e detém o monopólio da violência - como manda a cartilha de Norbert Elias. Mas, conforme assinala o Daniel Oliveira, acontece vezes demais: a exaltação da democracia usada não como uma forma de legitimar decisões militares que germinam de decisões democráticas, mas, isso sim, como uma forma de lembrar que o nosso lado dever ser o daqueles que mais se parecem connosco. Parece-me que esse resvalar para lealdades de semelhança a despeito de aferições da justiça é um caminho perigoso.

Flagelo urbano

A licença de maternidade/paternidade não deveria apenas referir o período justamente concedido aos pais para acompanharem os seus neonatos. A licença, nos termos em que a concebo, seria, também, uma espécie de carta de condução que avaliaria que pais poderiam acompanhar os filhos no espaço público. Obviamente que há pais incompetentes para o serem. Mas isso não me leva a defender a esterilização compulsiva daqueles que não passassem no exame de acesso à licença de paternidade, apenas porque, por piores que sejam os pais ― conquanto não nos refiramos a foros criminais ou cenários de perigosidade para os infantes ―, há sempre um grau de indeterminação que permite a emergência de doces existenciais dos mais improváveis quadros familiares. O contrário também se aplica, afinal o insuperável esmero e sagacidade da minha querida mãe deu nisto que vos fala. Mas, retomando, eugenismos esconjurados, o chumbo no exame de paternidade destina-se tão-só a restringir o uso de espaços público a pais que nos obriguem ao espectáculo da sua má educação em progresso.

Digo isto levemente traumatizado por pais de toda a sorte: conseguem alimentar birras a decibéis grotescos, compensando a chantagem do grito com a benevolência com que olhamos para o terrorismo institucionalizado; expõem os miúdos ao sol da uma da tarde, sem roupa ou protecção solar que se veja; falam com os filhos aos berros para que as delícias da paternidade sejam compulsivamente partilhadas pelos mais incautos, ainda que isso implique acordá-los; espetam tabefes cujo único critério de aplicação é o efeito surpresa; consolam quedas ou acidentes com reprimendas e palmadas como se já não bastasse a criança estar a chorar com o joelho em sangue (deve-se chamar a isto a pedagogia sobre ferro quente), ficam-se a ler o jornal sem ligar peva aos miúdos julgando, quiçá, que assim os preparam para a contemplação silenciosa do vazio no caso de se virem mais tarde a converter ao budismo, etc. etc.

Eu que tenho o maior anelo por infantes (dispensa-se a malícia), que me comovi a ver o meu irmão mais novo, 11 anos, crescer passo-a-passo com a eficácia da trivela do Drulovic, estou profundamente desgostado com o espectáculo público da maternidade/paternidade. Está na altura de tomarmos medidas para protegermos as crianças da má fama que lhes dão pais incompetentes e de protegermos as ruas deste flagelo que é o espectáculo da má educação (na perspectiva do programador). Ressalve-se um amigo meu e um casal amoroso que vi para os lados da Zambujeira.

Turismo Sexual

Segunda-Feira sigo, via Praga (com paradinha), para Lodz, Polónia, naquilo que será uma franca jornada de turismo sexual. O mais forte dos pretextos numa conferência que abordará o género e a sexualidade chama-se Judith Butler, uma portentosa feminista pós-estruturalista cuja leitura deslumbra tanto quanto massacra (depois da morte de Edward Said o legado construtivista de Foucault encontra na voz de Butler um dos mais preciosos hospícios -- de hospitiu).

A senhora começa a falar às 8:45 da manhã, certamente para me colocar perante uma tensão biocultural.

'Theorizing from the ruins of the Logos invites the following question: 'what about the materiality of the body?'

'For surely bodies live and die; eat and sleep; feel pain, pleasure, endure illness and violence; and these facts, one might sceptically proclaim, cannot be dismissed as mere construction.'

'How are we to understand the matter of sex, and of bodies more generally, as the repeated and violent circumscription of cultural intelligibility? Which bodies come to matter and ─why?'


'To claim that sexual differences are indissociable from discursive demarcations is not the same as claiming that discourse causes sexual difference. The category of “sex” is, from the start, normative; it is what Foucault has called a “regulatory ideal'

'…for the sex which is referred to as prior to gender will itself be a postulation, a construction offered, offered within language, prior to construction.'

Engates

Poucas observações indiscretas me dão mais gozo do que as performances e deambulações que se percebe remeterem para um engate em curso. Mas, por muito cusco que seja, e por muito que me atenha a saber como a coisa acaba, não posso deixar de me sentir defraudado quando, na mesa ao lado, me apercebo de uma história, ainda há pouco principiada, que logo se precipita para o seu termo, com o simbólico beijo na boca. Não é conservadorismo, acreditem-me, tampouco despeito pelos urgências desta vida. É um problema da ordem do narrativo. Os beijos urgentes e rompantes são belíssimos. Creio. Mas quando se entabula um engate com aparente respeito pelas primícias da sedução vagarosa, um beijo daqueles é um imperdoável atalho narrativo, uma falha no enredo. Ainda pensei em explicar isso ao casal acabado de formar a dois metros de mim. Mas, perante o jogo de línguas em pleno alvoroço os meus pruridos pouco poderiam. Abandonei-os à suas sortes.

Editorial vagamente estival

Na proxima semana a cadencia de posts sera mais irregular, existente, contudo.

Menos Olmert

Do Público:
"Duas sondagens divulgadas hoje pela imprensa israelita mostram uma diminuição do apoio à forma como a ofensiva contra o Hezbollah está a ser conduzida. O primeiro-ministro, Ehud Olmert, é o principal visado pelas críticas.

Segundo um estudo divulgado pelo diário "Haaretz", apenas 20 por cento dos inquiridos acreditam que Israel poderia reclamar vitória se os combates terminassem agora. Quarenta e quatro por cento entendem que não há, para já, vencedor ou vencido, enquanto 30 por cento acreditam que o Exército israelita está a perder a guerra."

Em Israel existe sentido crítico, evolução de opiniões e a capacidade de perceber que a defesa de Israel não se cumpre uma estratégia bélica como esta. Pelo contrário. Nunca o duvidei, mas havia o perigo de toldar a minha opinião por muitos fazedores de opinião que julgam que apoiar a causa israelita é seguir, quase até ao alistamento, a deriva guerreira de Olmert. O argumento que se segue, imagino, é que Israel é uma democroacia e foi possível fazer essa sondagem enquanto que ... Um conselho simples: pensem um pouco nas acções que apoiam e se isso serve aquilo defendem.

É mesmo para tremer

Fernando Santos, Octávio Machado, José Mourinho, Luigi Del Neri, Victor Fernandez, José Couceiro, Co Adriaanse, ....

Face à coerência dos últimos treinadores contratados por Jorge Nuno Pinto da Costa, cada vez estou mais convencido que Mourinho foi um tremendo erro de casting.

A formação da opinião por link

No afã dos apoiantes da "determinação bélica israelita" em linkarem quem com eles concorda (como quem diz: magia é mesmo isto!), nesse afã, dizia, não consigo deixar de ler uma tocante necessidade de se recobrirem dúvidas próprias com certezas alheias. Venho assistindo um mágnifico espectáculo colectivo de cristalização de sensibilidades Israel friendly. Estão agora convertidas - essas respeitáveis sensibilidades - a uma inabalável convição que não transige com a dúvida nem com a "chantagem da morte". De onde leio, algum lamento.

Co Adriaanse

Escrevi a 8/02/2006: Quando Coadriaanse achar que já chega eu tiro o dia para o ajudar a levar as malas ao aeroporto. Uma sms é o que basta.
Co Adriaanse saiu tarde pelas razões erradas. Mas não importa, cumpro a minha palavra. Mandarei um email ao Co Adriaanse voluntariando-me para lhe carregar as malas até ao check-in.

Notas estivais

Ela haveria de aprender com o tempo a importância de conseguir pôr creme nas próprias costas.

Israel e a atenção mediática

Nuno, certamente que haverá anti-semitas que aproveitam as incursões militares israelitas para cumprirem os ímpetos acusatórios de um ódio há muito instalado.

Mas parece-me pouco razoável fazer do anti-semitismo uma evidência, como o fazes, contrapondo a atenção que o Sul do Líbano recebe com o silêncio ocidental em relação a outras violações de direitos humanos no mundo. É bem verdade que o Médio Oriente merece singular atenção. É verdade que há ruidosa mortandade que nunca nos chega. É verdade que isso é aviltante. Mas, sinceramente, não acho que esse diferencial de agenda faça cintilar o anti-semitismo enquanto hipótese explicativa:
1- Onde os Estados Unidos estão metidos está a atenção mediática mundial, assim como os fartos opositores ao domínio americano no Mundo. A relação entre EU e Israel não é desconhecida por virtualmente ninguém.
2- A zona da Palestina, coração geográfico das três religiões abraâmicas, tem a força simbólica no mundo que conheces. Aliás, o interesse ocidental pela palestina não é uma coisa dos tempos mediáticos, remonta, se quisermos, à atenção dada pelos cruzados à Terra Santa.
3- Do ponto de vista geopolítico, um conflito entre Israel e um país islâmico tem um inigualável perigo de propagação aos core states de um eventual choque de civilizações: EU e Irão. Coisa dificilmente negligenciável.

Que o anti-semitismo existe, não se discute, mas é um pouco forçado adivinhá-lo na origem das dinâmicas da agenda política e mediática.

Desacordo

Teço aqui alguns comentários ao texto do Tiago Barbosa Ribeiro sobre "o anti-semitismo depois do anti-semitismo", de cujo cerne discordo:

O cuidado com definições genealógicas/rácicas leva a que - como bem lembrava o João Morgado Fernandes - Israel seja o único país que fazemos preceder da palavra Estado. Serve isto para dizer que quando aqui me referir a Israel estarei a falar do Estado de Israel.

1- A rejeição às políticas de Israel tem forjado um "Estado que se transforma assim num sistema de representações muito para além da geografia de um país". Diz o Tiago. Quer com isso frisar o modo como a representação cultural sobre Israel se funda mais em imaginários e apreensões políticas do que na "geografia do país". (Usa-se aqui a geografia para exprimir uma "densidade de real", aquilo cujo conhecimento opõe à representação. No entanto, o Tiago não poderia ter escolhido uma categoria mais problemática, a geografia e as fronteiras estão ao centro das lutas pelo real no que à definição de Israel diz respeito, um país que nos últimos 40 anos se tem sobreposto a outras geografias).

Quanto à existência de uma estrutura representacional sobre Israel, concordo, bem sei que assim é. Mas isto nada concorre para a noção excepcionalidade representacional ao encontro do Anti-semitismo. Não há outra forma de conhecer um Estado (ou qualquer outra coisa) senão por "estruturas representacionais". Tal como a estrutura representacional dos Estados Unidos acerca do seu belicismo fomenta o anti-americanismo, e a estrutura representacional do Brasil acerca das bundas fomenta o turismo, assim a estrutura representacional de Israel sobre um Estado dado a esmagar os seus inimigos funda o anti-israelismo. Os próprios Estados em que habitamos são conhecidos, como tudo, por via de estruturas de representacionais. A questão não é a estrutra representacional versus o real (eu da beira baixa tenho uma vago imaginário representacional que recobre o parco conhecimento, e vivo em Portugal), a questão é saber se os fundamentos de determinada estrutura representacional são equívicos, promovendo representações adulteradores e violentadoras, ou se, por outro lado, estão historicamente alicerçadas. Creio que o anti-israelismo está alicerçado na determinação político-militar israelita face aos seus inimigos e não leio nisto esquívoco (opiniões).

2- É pouco sério usar-se anti-semitismo (anti-judaico) como simétrico de islamofobia. As palavras não são só palavras, ou pedras, e quando chamamos alguém anti-semita estamos a colocá-lo na mesma senda histórica dos apoiantes da inquisição e do holocausto. Não digo que não haja anti-semitas e bem sei que a Europa está pejada deles, mas exige-se a seriedade de tentar o peso histórico das palavras, que assim serão guardadas para uso exclusivo de quem as merece. Algo que obviamente não contece neste tipo de formulação que reputo insidiosa:
"A novidade epistemológica está num anti-semitismo que não decorre necessariamente dos factores clásssicos de ódio aos judeus"; "enquanto não aceitarmos com clareza que existe um anti-semitismo anti-judaico que se agudizou à esquerda desde a queda do Muro de Berlim".
Islamofobia é um arremesso que não tem o mesmo peso, não foram exterminadas 6 milhões de pessoas em nome desse sentimento, seis milhões, acrescente-se, bem presentes na nossa memória colectiva. Por isso o "novo anti-semitismo" pode bem ser um conceito leviano se não for capaz de justificar as continuidades históricas com o anti-semitismo. A convergência pós-guerra do antagonismo político a Israel ao antagonismo informado pelo anti-semitismo não chega para um nome comum. Essa tentativa fracassa em captar as origens distintas dos valores em causa. Há, portanto, o forte perigo de se usar a tentativa conceptual de "novo semitismo" para cobrir outras coisas que são estranhas ao anti-semitismo. Isto acontecerá, por exemplo, se nos permitirmos à leveza histórica de usar anti-semita como simétrico de islamófobo.

Creio que, depois de alguma infantilidade conceptual, o debate sobre a guerra libertou-se das acusações de anti-semitismo. Para ser sincero, a ideia de "novo anti-semitismo" parece-me ser uma forma elaborada de se usar o capital simbólico do velho anti-semitismo para comprometer moralmente quem, ainda que ideológico-visceralmente, vilipendia aquilo em que o Estado de Israel vem fazendo de si e dos outros.

3 anos


Feita justiça ao mundo dos labirintos. Parabéns.

Co Adriaanse

Luís, o homem é divertido, mas o que me desconsola é que os adversários europeus do Porto também acham um fartote às lições de Co Adriaanse. CA arvora-se de último lírico da bola para se colar ao estatuto de inimputável. Repare-se. Depois de duas derrotas em que o Porto sofreu 6 golos, os jornalistas perguntam ao holandês como alcançar então o caminho das vitórias. A resposta: "Comprando um bom avançado". (seis golos sofridos, mas tudo se resolve com um bom avançado que marque 4 golos por jogo).

Mais, quando lhe perguntam o óbvio, ou seja, se o sistema táctico que até deu para ganhar o campeonato nacional português tem alguma hipótese no futebol internacional, CA vota-se ao mais triste solipsimo: "Não vi os jogos do último Campeonato do Mundo. Tenho as minhas ideias e não as mudo. Não quis ver o Mundial para que as minhas ideias não corressem o risco de mudarem para o lado errado".

Efeito axe

Depois daquela campanha pavorosa do "indica-lhes o caminho", eis que a axe regressa ao melhor do humor consolador. Um épico.


Ainda sobre a Gisberta

Ler a resposta do Francisco José Viegas.

Pelintras

A vantagem de ser um pelintra é saber que nunca se será alvo de afeição pelos confortos que o dinheiro oferece. Está feita à partida a triagem das interesseiras/os ou daqueles cuja afectividade amorosa é monetariamente informada. A desvantagem? Bem, a desvantagem é que virtualidades alternativas poderão não ter possibilidades de se afirmarem face ao malogro da primeira. O que, convenhamos, pode ser chato.

Gisberta

Nem a pena aplicada nem o discurso utilizado deixam de ser preocupantes.
Sublinho o que diz o Francisco José Viegas. Ainda, assim, Francisco, acho que a dimensão de "indignação de género" não pode ser descartável conquanto o preconceito transfóbico estivesse presente na motivação dos perpretadores do crime (homicidas, não?). Acho que não nos podemos dispensar a fazer deste crime uma leitura semiológica dos ódios e preconceitos que latejam nas nossas ruas sob perigo da sua "reaparição dramática".
Ler 1, 2, 3

Ma-schamba

O José Pimental Teixeira está de volta.


MZ, 2005

O massacre de Quana

Diz o Eduardo Pitta: "O ataque de anteontem matou 54. Mais de metade eram crianças. Quando bombistas suicidas se fazem explodir em autocarros nas cidades de Israel não vejo ninguém preocupado com a curva etária dos passageiros estraçalhados. Por que será?"

Eduardo, muito simplesmente, não é verdade. Basta ir ao google (e eu fi-lo) e pesquisar os arquivos de notícias sobre ataques bombistas feitos a Israel e verás a ênfase sempre dada à morte de crianças. Justamente, acrecente-se, elas representam o mais completo estupor nas vítimas civis. Quana foi um massacre horrendo, e até poderíamos basear-nos na solícita definição de Pacheco Pereira: massacre: matar "indiscriminadamente" "com selvajaria e crueldade". Que isso mereça ser matizado, como o fez Pacheco Pereira -- ou mesmo o Tiago Barbosa Ribeiro -- sob o argumento de que as mortes de civis libaneses não são intencionais, é ignaro, até do ponto de vista do mais básico conhecimento militar. Quando um Governo aprova o tipo de ofensivas que Israel aprovou (escala, intensidade, etc), e não faltam a Israel versados em questões militares, não há tal coisa a que a boa vontade ou o sofismo pudessem chamar convincentemente de unintended consequences.