O despotismo da pressão social ou a singela candura das ritualizações domésticas
10 no mínimo
Aos biólogos
Nota: Esta questão de modo algum se liga com o regresso de Rui Costa ao Benfica. É apenas uma curiosiade sincera que muito gostaria de ver esclarecida.
Reprodução Medicamente Assistida
Basta falar uma senhora orgulhosamente fértil e bem casada, oxigenada, sócia da associação de famílias numerosas, militante na causa das mulheres em acção pela erradicação desse homicídio quotidiano que é pílula do dia seguinte (vão ao site que merece), as relações sexuais não procriativas, o preservativo e, já agora, a masturbação, e a minha posição está tomada. Antes falhasse. Ao pé delas Sócrates é um tipo de esquerda.
Luandino Vieira: o prémio como estigma
O Europeu e o Americano do Norte julgam que tem de ser bom um livro que mereceu um prémio qualquer, o Argentino admite a possibilidade de não ser mau, apesar do prémio.Borges
Comunidades lembradas
Memorando editorial: Tentar escrever menos sobre futebol e, também por uma questão de decência e higiene, evitar temas como Scolari.
Triénio
Fernando Santos
Porto
P.S. Daqui endosso um grato abraço ao Tiago Barbosa Ribeiro a quem tive ontem a graça de conhecer. Depois de tanto concordarmos em cúmplice gesta de dizeres, iamo-nos pegando numa acalorada discussão (exagero em abono do efeito dramático). Sinal de amizade súbita e testemunho de mais um encontro fascinante indirectamente germinado pelas lides da bloga. Ao Tiago eu só não chamo "senhor" (com a devida entoação do norte) pela idade que traz. Uma obscenidade.
Ocupa
Fragmentos de um evangelho apócrifo
Casamento para a vida
No entanto, quis-me parecer, no seu rosto perturbado havia também uma paz que se adivinhava. Por muito volátil que seja o matrimónio ainda detêm um forte poder de sugestão. Acabar com o sofrimento, com a esperança de um retorno, por exemplo. Para a vida. Espera ele.
Censura
Esta minha posição esforça-se por coerência. Da mesma maneira entendo que o seleccionador nacional português, confesso entusiasta da obra de Pinochet, não deve ser afastado do cargo por causa das suas afeições carismáticas. Na verdade, é minha persusão que o aclamado seleccionador usa o futebol com desígnios e modos políticos sombrios (aquela explicação do onganograma foi tenebrosa). Mas aí estaria a ser francamente especulativo entrando numa discussão que não quero fomentar a bem da estimada Unidade Nacional (sic) que nos foi pedida pelo insigne Madaíl.
Proposta

Coimbra, 18 de Maio, 18:30, Foyer do TAGV
Apresentação com:
Boaventura Sousa Santos
José Guerra (ex-presidente da ACAPO)
Lisboa, 9 de Junho, 18:30, Fnac do Chiado
Apresentação com:
Gonçalo M. Tavares
Humberto Santos (presidente da APD)
Foto: Eduardo Basto
Conto convosco.
Figuras públicas e semi-públicas
A minha posição sobre o assunto não é clara, mas entendo que capacidade de um nome chamar gente é um elemento que não pode deixar de ser ponderado por quem organiza um evento que quer apelativo. No entanto, acho que o Eduardo e o Afonso reflectem sobre algo deveras pertinente: 1) porque sintomático de uma certa reconfiguração social; 2) porque denuncia o perigo do "efeito celebridade" (na devida escala*) sistematicamente se sobrepor a outras variáveis. Temos tema.
*É minha opinião que o impacto da blogosfera na criação/potenciação de nomes tem menos a ver com a magnitude de leitores do que com as fidelidades e fascínios que mais facilmente fomenta pela natureza diarística e pessoalista do meio.
Nápoles

«Era claro que, da mesma forma que não chamaria o Vítor Baía, também não o faria com o Ricardo Quaresma.» Pinto da Costa
Durante o Itália 90 a população de Nápoles torceu pela Argentina contra a Itália, assim mostrando a poética variável no ser italiano. Um exemplo a seguir, sem remorso, pelas gentes do Porto e pelos amantes de um futebol a salvo dos despotismos iluminados.
*Argentina serve aqui de metonímia para Angola, Irão, México e ... confio que só.
Sá Pinto
Do post anterior para outro texto
Tudo o que te disser/ tudo o que escrever/ sou eu a perder-te
Manuel António Pina
Amor à camisola

Os meneios do linguajar futebolístico irritam ao absurdo. A actividade discursiva em torno da bola é tão ritualizada e incessante que a exaustão das palavras não tem como não. Ironicamente é uma dessas expressões gastas que me instiga a fugir ao nacionalismo politicamente correcto que a todos acomete por altura de europeus e mundiais. Falo de "amor à camisola". Entendo o amor à camisola por oposição ao amor à bandeira. A camisola ama-se na relação com as suas incorporações, na relação entre símbololo e corpo, gentes e história, homens e memória. É esse diálogo que me merece o fanatismo: a aprumada convição de que de tempos em tempos surgem espíritos que animam e actualizam a crença. O amor a um clube ou a uma selecção não pode ser constante, dá-se, ao invés, por ciclos de entranhamento e estranhamento (a que não é alheia a angústia da espera). As bandeiras abastecem-se de vento, as camisolas nutrem-se de gente. Enquanto uns seguem as bandeiras por lealdade com o vento que passa eu dou-me a desfrute de procurar nas camisolas o amor difícil, devido a quem as veste. Não podemos adorar abstracções sob perigo de enjeitarmos os méritos da realidade. Enquanto a camisola de Portugal me oferece um estranhamento sem nome, despoticamente vestida por sujeitos como Ricardo a mando de outros como Scolari, há outras cores em que podemos buscar encarnações de espíritos que animaram campos, sugeriram profecias e partiram. Nisto, como noutras coisas, nada é para sempre. Aceitar a perda e compassar a espera distingue o amor da carência. Esperar e procurar. Amem a bandeira de sempre que eu sei onde vou aguardar a descida do divino. Neste mundial vou experimentar o amor na camisola que um dia foi vestida por Diego Armando. Se fracassar será por tentada devoção. Talvez volte a Portugal um dia. As epifanias são assim: vagas e incertas. Resta-nos, quais vedores, pegar no triste ramo e caminhar por esses vales afora.
Dress Code
P.s. Estes convites são mandados por atacado ou foi alguma coisa que eu escrevi?
Gostar de Padres
Anselmo Borges (achado via via f.)Nem mais.
Ofereço aqui um inventário das aparições bíblicas de Maria Madalena (trad. João Ferreira de Almeida):
Mateus 27:56 Entre as quais estavam Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
Mt 27:61 E estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, assentadas defronte do sepulcro.
Mt 28:1 E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
Marcos 15:40 E também ali estavam algumas mulheres, olhando de longe, entre as quais também Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé;
Mc 15:47 E Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde o punham.
Mc 16:1 E, passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo.
Mc 16:9 E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demónios.
Lucas 8:2 E algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demónios;
Lc 24:10 E eram Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago, e as outras que com elas estavam, as que diziam estas coisas aos apóstolos.
João 19:25 E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena.
Jo 20:1 E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.
Jo 20:18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto.
Como se percebe neste levantamento dos textos canónicos (basta seguir os versículos citados e ler as cenas onde eles se inserem) não existe nenhum momento em que se associe Maria Madalena à prostituta prestes a ser apedrejada tampouco à pecadora que lavou os pés de Jesus.
O nome Maria Madalena -- Maria de Magdala -- sugere que esta seria proveniente de Magdala , uma aldeia piscatória situada junto ao mar da Galileia(Magdala=torre de peixe). Sabe-se apenas que essa aldeia sofreu uma decadência económica que poderia ter feito crescer a prática da prostituição e seria essa a única ponte - forçadíssima - passível de ser feita com assimilação de Maria Madalena a uma prostituta. Também sabemos que Maria Madalena não tinha marido, exactamente por ser nomeada segundo a terra de origem e não pelo apelido marital. A ausência de marido podia bem dever-se ao facto de segundo o relato bíblico Maria Madalena ter estado possuídada por demónios, e portanto socialmente proscrita, até se cruzar com Jesus que, contam-nos, lhe exorcizou sete demónios.
Tudo indica, portanto, que a "adulteração de Maria Madalena" (conceito feliz) tenha devido, -- como o faz supor o Evangelho apócrifo de Maria, recentemente descoberto -- a uma desqualificação resultante dos conflitos de autoridade que se deram na Igreja primitiva. Pedro versus Madalena. Nesse caso a linha de fractura foi o lugar de Madalena no legado cristão cujo achincalhamento obedeceu também a uma adequação com a dominação patriarcal da sociedade de época: a excentricidade da voz profética de Jesus na valorização da mulher foi assim abafada.
Aliás, as lutas de poder surgidas após a morte de Jesus são despudoradamente relatadas na Bíblia. Em Actos dos Apóstolos lemos, por exemplo, deparamos com uma altercação entre Pedro e Paulo sobre o desejável alcance da evangelizaçao. Paulo queria evangelizar os gentios, já por vontade de Pedro, em cuja cadeira se senta Ratzinger -- alegam os católicos --, a mensagem teria ficada restringida ao mundo judaico. And so on.
Na guilhotina
Camionista
Biografias poéticas
Sazonalidades
Fórum
Bénard da Costa
In loco
The missing link
Católica e o fato escuro
Neorealismo
"Sou apenas uma mulher alta, loura, com olhos azuis, muito magra nos lados e muito gorda nos outros e que calça o 43." Uma Thurman
Recito: "muito magra nuns lados e muito gorda nos outros". Minhas senhoras, meus senhores, estamos perante uma descrição conceptual de rara estaleca, uma dádiva discursiva que marca este princípio de século. Consolada, a poética realista compraz-se com estes mimos.
p.s. Aconselha-se o uso na vida social.
Certain experiences with a strong corporal dimension, such as the amputation of a limb, the loss of a sensorial ability or the onset of a serious organic dysfunction, carry strong implications for the personal histories of the subjects who endure them. Those events imply an ontological violence that goes further than the phenomenological and biological strains involved in the transformation of the body: the cultural descriptions available permeate that transformation and that violence. But, on the other hand, this sort of experience blatantly de-authorizes a constructivism which, while fighting the power of modern essentialist ideologies of “biology is destiny”, neglected, often to the limit, dimensions of existence where the lived body assumes irredeemable centrality. Grounded on a long ethnographic account of the experiences of blind people in Portugal, strifing with ambivalent sociopolitical implications, these questions will be summoned through the notion of “anguish of corporal transgression”



