O despotismo da pressão social ou a singela candura das ritualizações domésticas

Há toda uma ética do cuidado e do trabalho prévio à beleza feminina que se passeia pelas ruas.

10 no mínimo


À parte outras considerações (talvez lá volte), dez quilos e o Código da Vinci ganhava em muito.

Aos biólogos

Sei que há por aí biólogos e é a eles que me dirijo com um pedido em jeito de pergunta: existe alguma explicação para a selecção evolutiva do comportamento dos elefantes que, uma vez moribundos, seguem o caminho do cemitério ancestral? Este comportamento está circuscrito a algumas populações de elefantes? é generalizado? ou é apenas um mito? Muito grato ficaria por um esclarecimento para os comentários do blog ou para o email.

Nota: Esta questão de modo algum se liga com o regresso de Rui Costa ao Benfica. É apenas uma curiosiade sincera que muito gostaria de ver esclarecida.

Reprodução Medicamente Assistida

Eu que até nem viro cara discusão sobre a vida, eu que, ao contrário de outras vozes contestatárias, defendo intransigentemente a despenalização do aborto ao mesmo tempo que recuso a celebração da propriedade da barriga -- como se isso fechasse a questão --, sempre encontro nos movimentos pró-vida uma inestimável orientação apriorista da minha conduta política e da minha reflexão sócio-filosófica. A existência do movimento pró-vida é uma dádiva à certeza.
Basta falar uma senhora orgulhosamente fértil e bem casada, oxigenada, sócia da associação de famílias numerosas, militante na causa das mulheres em acção pela erradicação desse homicídio quotidiano que é pílula do dia seguinte (vão ao site que merece), as relações sexuais não procriativas, o preservativo e, já agora, a masturbação, e a minha posição está tomada. Antes falhasse. Ao pé delas Sócrates é um tipo de esquerda.

Luandino Vieira: o prémio como estigma

O Europeu e o Americano do Norte julgam que tem de ser bom um livro que mereceu um prémio qualquer, o Argentino admite a possibilidade de não ser mau, apesar do prémio.

Borges

Comunidades lembradas

No europeu de sub-21, assim como no mundial da Alemanha, milita a selecção da Sérvia e Montenegro. Isto de vermos gente a jogar futebol em nome de um país deseparecido toca o mais sublime realismo mágico.

Memorando editorial: Tentar escrever menos sobre futebol e, também por uma questão de decência e higiene, evitar temas como Scolari.

Triénio

A erudição não se faz sem mistério. Parabéns atrasados ao Almocreve das Petas.

Fernando Santos

Na sua conferência de apresentação aos vermelhos, talvez para mitigar a desilusão dos adeptos, Fernando Santos fez questão de lembrar que é do Benfica desde pequenino blá, blá... Que eu me lembre, este gesto iniciático já foi ensaiado por outros dois ex-portistas: João Manuel Pinto e Marco Ferreira. Existe portanto uma tradição de fracasso instalada. Fernando Santos, imune que não é à superstição, foi insensato. A questão não é tanto o ridículo forçado dessas declarações oportunas de benfiquismo. É mais grave e toca a justiça divina: no apuro da sinceridade da crença surge inevitável a condenação que se abate sobre quem explicita com tal orgulho a sua capacidade de traição. Ainda que referente ao passado.

Porto

Numa esquina da cidade do Porto uma rapariga recebe uma sms e detém a marcha. Ao ler o ecrã do telemóvel a transeunte sorri efusiva, cora, quase chorando, e reninicia-se no caminho com a felicidade estampada no bolinar das ancas. Não sei que combinação de palavras produziu tal efeito, em todo o caso aqui ficam os meus parabéns ao autor da sms pela sua capacidade de agir sobre o real. Seriam umas 20:15 h e ela caminhava para os lados do Campo Alegre. Tirei o telemóvel do bolso e tentei fazer algo parecido. Não sei com que sucesso.

P.S. Daqui endosso um grato abraço ao Tiago Barbosa Ribeiro a quem tive ontem a graça de conhecer. Depois de tanto concordarmos em cúmplice gesta de dizeres, iamo-nos pegando numa acalorada discussão (exagero em abono do efeito dramático). Sinal de amizade súbita e testemunho de mais um encontro fascinante indirectamente germinado pelas lides da bloga. Ao Tiago eu só não chamo "senhor" (com a devida entoação do norte) pela idade que traz. Uma obscenidade.

Ocupa

Nada fico a dever às estrelas de rock, mesmo às mais caprichosas e decadentes, no que respeita ao estado caótico em que abandono os quartos de hotel quando neles pernoito em viagem (na verdade, mais pensões e residenciais). Algo que, na exterioridade mitológica das drogas e do sexo, não deixa de ser assinalável.

Fragmentos de um evangelho apócrifo

27. Eu não falo de vinganças nem de perdões; o esquecimento é a única vingança e o único perdão.

Jorge Luis Borges

Casamento para a vida

No outro dia um amigo anunciava-me que uma antiga namorada, por cuja partida ainda hoje se penitencia, estaria prestes a casar-se. Tanto tempo depois, a perspectiva desse matrimónio veio agora assolá-lo como um fortíssimo marco simbólico.
No entanto, quis-me parecer, no seu rosto perturbado havia também uma paz que se adivinhava. Por muito volátil que seja o matrimónio ainda detêm um forte poder de sugestão. Acabar com o sofrimento, com a esperança de um retorno, por exemplo. Para a vida. Espera ele.

Censura

Concordo com o Luís Januário e com o Pedro Mexia: é ilegítimo e preocupante que a peça teatral de Peter Handke tenha sido boicotada em nome das suas opiniões políticas - a discussão seria outra se ele usasse o teatro com fins políticos.
Esta minha posição esforça-se por coerência. Da mesma maneira entendo que o seleccionador nacional português, confesso entusiasta da obra de Pinochet, não deve ser afastado do cargo por causa das suas afeições carismáticas. Na verdade, é minha persusão que o aclamado seleccionador usa o futebol com desígnios e modos políticos sombrios (aquela explicação do onganograma foi tenebrosa). Mas aí estaria a ser francamente especulativo entrando numa discussão que não quero fomentar a bem da estimada Unidade Nacional (sic) que nos foi pedida pelo insigne Madaíl.

Proposta




Coimbra, 18 de Maio, 18:30, Foyer do TAGV

Apresentação com:

Boaventura Sousa Santos
José Guerra (ex-presidente da ACAPO)



Lisboa, 9 de Junho, 18:30, Fnac do Chiado
Apresentação com:

Go
nçalo M. Tavares
Humberto Santos (presidente da APD)








Foto:
Eduardo Basto

Conto convosco.

Figuras públicas e semi-públicas

Pelos nomes que deu a conhecer e permitiu valorizar, a visibilidade blogosférica vem contribuindo para uma destabilização das hierarquias de reconhecimento público. Numa prespectiva entusiasta do fenómeno cabe assentir na meritocracia e no sentido democrático do meio: qualquer pessoa pode grangear visibilidade e reconhecimento num contexto comunicacional que, apesar de tudo, é menos marcado que outros pelo status familiar ou sócio-profissional. Já numa perspectiva céptica -- para a qual fui conduzido por este texto do Afonso Bivar e por este do Eduardo Pitta -- ressalta o facto da blogosfera produzir um efeito de estrelato que enviesa o reconhecimento público, podendo assim remeter à sombra saberes e competências que se passeiam alhures. Algo manifesto, por exemplo, nos convites para eventos culturais.

A minha posição sobre o assunto não é clara, mas entendo que capacidade de um nome chamar gente é um elemento que não pode deixar de ser ponderado por quem organiza um evento que quer apelativo. No entanto, acho que o Eduardo e o Afonso reflectem sobre algo deveras pertinente: 1) porque sintomático de uma certa reconfiguração social; 2) porque denuncia o perigo do "efeito celebridade" (na devida escala*) sistematicamente se sobrepor a outras variáveis. Temos tema.

*É minha opinião que o impacto da blogosfera na criação/potenciação de nomes tem menos a ver com a magnitude de leitores do que com as fidelidades e fascínios que mais facilmente fomenta pela natureza diarística e pessoalista do meio.

Nápoles


«Era claro que, da mesma forma que não chamaria o Vítor Baía, também não o faria com o Ricardo Quaresma.» Pinto da Costa

Durante o Itália 90 a população de Nápoles torceu pela Argentina contra a Itália, assim mostrando a poética variável no ser italiano. Um exemplo a seguir, sem remorso, pelas gentes do Porto e pelos amantes de um futebol a salvo dos despotismos iluminados.

*Argentina serve aqui de metonímia para Angola, Irão, México e ... confio que só.

Sá Pinto

Não nutro qualquer admiração por Sá Pinto. Na verdade, acho que ele passou ao lado de uma grande carreira como líder de uma claque. Isto dito, custa-me a perceber como foi possível que o Sporting conseguisse tornar ainda mais cruel um fim de carreira tristemente selado com um cartão vermelho. Será que antes de ser tornada pública a sua vontade de jogar mais uma época não lhe podiam ter dito que não contavam com ele? Era mesmo preciso ele ser humilhado em plena conferência de imprensa por Paulo Bento? Paulinho Santos esteve a sua última época sem jogar no Porto. Entrou como titular no últjmo jogo e lesionou-se 10 minutos depois. Acabou gloriosamente sob o aplauso dos adeptos. Não é caridade, é uma margem de reconhecimento e um pouco de memória. E isso até o Sá Pinto merecia.

Do post anterior para outro texto

"Aceitar a perda e compassar a espera distingue o amor da carência."

Tudo o que te disser/ tudo o que escrever/ sou eu a perder-te
Manuel António Pina

Amor à camisola


Os meneios do linguajar futebolístico irritam ao absurdo. A actividade discursiva em torno da bola é tão ritualizada e incessante que a exaustão das palavras não tem como não. Ironicamente é uma dessas expressões gastas que me instiga a fugir ao nacionalismo politicamente correcto que a todos acomete por altura de europeus e mundiais. Falo de "amor à camisola". Entendo o amor à camisola por oposição ao amor à bandeira. A camisola ama-se na relação com as suas incorporações, na relação entre símbololo e corpo, gentes e história, homens e memória. É esse diálogo que me merece o fanatismo: a aprumada convição de que de tempos em tempos surgem espíritos que animam e actualizam a crença. O amor a um clube ou a uma selecção não pode ser constante, dá-se, ao invés, por ciclos de entranhamento e estranhamento (a que não é alheia a angústia da espera). As bandeiras abastecem-se de vento, as camisolas nutrem-se de gente. Enquanto uns seguem as bandeiras por lealdade com o vento que passa eu dou-me a desfrute de procurar nas camisolas o amor difícil, devido a quem as veste. Não podemos adorar abstracções sob perigo de enjeitarmos os méritos da realidade. Enquanto a camisola de Portugal me oferece um estranhamento sem nome, despoticamente vestida por sujeitos como Ricardo a mando de outros como Scolari, há outras cores em que podemos buscar encarnações de espíritos que animaram campos, sugeriram profecias e partiram. Nisto, como noutras coisas, nada é para sempre. Aceitar a perda e compassar a espera distingue o amor da carência. Esperar e procurar. Amem a bandeira de sempre que eu sei onde vou aguardar a descida do divino. Neste mundial vou experimentar o amor na camisola que um dia foi vestida por Diego Armando. Se fracassar será por tentada devoção. Talvez volte a Portugal um dia. As epifanias são assim: vagas e incertas. Resta-nos, quais vedores, pegar no triste ramo e caminhar por esses vales afora.

Dress Code

João Carlos Espada não está só. No email do blog acabo de receber um convite para uma gathering party com dress code obrigatório: "Vinil, cabedal, latex, uniformes ou, em alternativa, traje completamente negro". Só não dizem "Que Deus nos ajude".

P.s. Estes convites são mandados por atacado ou foi alguma coisa que eu escrevi?

Gostar de Padres

Todos os dados históricos indicam que Jesus não casou. Mas, se isso tivesse acontecido, a fé cristã não ficaria abalada.
Anselmo Borges (achado via via f.)Nem mais.

Ofereço aqui um inventário das aparições bíblicas de Maria Madalena (trad. João Ferreira de Almeida):

Mateus 27:56 Entre as quais estavam Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
Mt 27:61 E estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, assentadas defronte do sepulcro.
Mt 28:1 E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
Marcos 15:40 E também ali estavam algumas mulheres, olhando de longe, entre as quais também Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé;
Mc 15:47 E Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde o punham.
Mc 16:1 E, passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo.
Mc 16:9 E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demónios.
Lucas 8:2 E algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demónios;
Lc 24:10 E eram Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago, e as outras que com elas estavam, as que diziam estas coisas aos apóstolos.
João 19:25 E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena.
Jo 20:1 E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.
Jo 20:18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto.

Como se percebe neste levantamento dos textos canónicos (basta seguir os versículos citados e ler as cenas onde eles se inserem) não existe nenhum momento em que se associe Maria Madalena à prostituta prestes a ser apedrejada tampouco à pecadora que lavou os pés de Jesus.

O nome Maria Madalena -- Maria de Magdala -- sugere que esta seria proveniente de Magdala , uma aldeia piscatória situada junto ao mar da Galileia
(Magdala=torre de peixe). Sabe-se apenas que essa aldeia sofreu uma decadência económica que poderia ter feito crescer a prática da prostituição e seria essa a única ponte - forçadíssima - passível de ser feita com assimilação de Maria Madalena a uma prostituta. Também sabemos que Maria Madalena não tinha marido, exactamente por ser nomeada segundo a terra de origem e não pelo apelido marital. A ausência de marido podia bem dever-se ao facto de segundo o relato bíblico Maria Madalena ter estado possuídada por demónios, e portanto socialmente proscrita, até se cruzar com Jesus que, contam-nos, lhe exorcizou sete demónios.

Tudo indica, portanto, que a "adulteração de Maria Madalena" (conceito feliz) tenha devido
, -- como o faz supor o Evangelho apócrifo de Maria, recentemente descoberto -- a uma desqualificação resultante dos conflitos de autoridade que se deram na Igreja primitiva. Pedro versus Madalena. Nesse caso a linha de fractura foi o lugar de Madalena no legado cristão cujo achincalhamento obedeceu também a uma adequação com a dominação patriarcal da sociedade de época: a excentricidade da voz profética de Jesus na valorização da mulher foi assim abafada.

Aliás, as lutas de poder surgidas após a morte de Jesus são despudoradamente relatadas na Bíblia. Em Actos dos Apóstolos lemos, por exemplo, deparamos com uma altercação entre Pedro e
Paulo sobre o desejável alcance da evangelizaçao. Paulo queria evangelizar os gentios, já por vontade de Pedro, em cuja cadeira se senta Ratzinger -- alegam os católicos --, a mensagem teria ficada restringida ao mundo judaico. And so on.

Na guilhotina

Co Adriaanse colocou Baía a titular no último jogo contra o Boavista ao que o guardião respondeu com uma monumental joga. Até aqui tudo limpo. Eu só espero que o cinismo do holandês não chegue ao ponto de haver concedido esta titularidade a Baía como pérfida estratégia para lhe retirar a final da taça. Convém não esquecer como -- e graças a quem -- lá chegou. Cá estarei para ver se a dimensão humana do holandês se reduz às pulhices de princípio de época ou se vou ser obrigado a dar-lhe, enfim, a dádiva da dúvida.

Camionista

No Parque TIR de Vilar Formoso era conhecido por adormecer ao som de Cat Power.

Biografias poéticas

Não escrevia poesia porque não tinha vida para isso.

Sazonalidades

Ando a pensar seriamente deixar o Yoga e inscrever-me no ginásio. É que para dizer a verdade, preocupa-me mais o meu rabo que a evolução espiritual.

Fórum

Quando entrei, pelo espólio à vista, tudo indicava que se tratava de uma Worten. Foi então que se me afloraram umas estantes com livros. Entre elas, flanando, haveria de encontrar o Luís, o leitor do mal. Foi o quanto bastou: convenci-me que se tratava da nova Fnac.

Bénard da Costa

A mim interessa-me o precedente. Que não venha o Estado moralizar com legislações desportivas para afastar o Pinto da Costa por limite de mandatos. Lamento, mas a programação de títulos do Porto preocupa-me bem mais do que os ciclos da cinemateca. Cabe acrescentar que o "Senhor da Cinemateca" é das pessoas que melhor escreve nos jornais portugueses - ocasiões houve em que o insultei por isso mesmo - e que bem podia ter saído com outra graça.

In loco

Ainda sobre Marshall Sahlins, vale a pena ler este testemunho de Miguel Vale de Almeida com ligação para textos online.

The missing link

Um bom título para falar de blogs que nos fazem falta. Imagino que já alguém se deve ter lembrado desta síntese entre as espécies mitológicas da biologia evolutiva e a substanciação html de uma ausência. Nada a fazer: eu sou um Wallace-para-mim-mesmo-frustrando.

Católica e o fato escuro

Também eu já tinha referido esse insólito pormenor do fato escuro "encorajado" em determinadas ocasiões na Universidade Católica. Depois do que aqui li convido desde já uns quantos para ousarmos jeans e t-shirt na próxima conferência pública que mereça fato escuro. Se for barrado à porta não é grave, aceitarei as regras, para vergonha da casa. Poderei sempre refugiar-me no conforto memorativo das discotecas que na adolescência tantas vezes me puniram o involuntário celibato.

Neorealismo

"Sou apenas uma mulher alta, loura, com olhos azuis, muito magra nos lados e muito gorda nos outros e que calça o 43." Uma Thurman

Recito: "muito magra nuns lados e muito gorda nos outros". Minhas senhoras, meus senhores, estamos perante uma descrição conceptual de rara estaleca, uma dádiva discursiva que marca este princípio de século. Consolada, a poética realista compraz-se com estes mimos.

p.s. Aconselha-se o uso na vida social.

Certain experiences with a strong corporal dimension, such as the amputation of a limb, the loss of a sensorial ability or the onset of a serious organic dysfunction, carry strong implications for the personal histories of the subjects who endure them. Those events imply an ontological violence that goes further than the phenomenological and biological strains involved in the transformation of the body: the cultural descriptions available permeate that transformation and that violence. But, on the other hand, this sort of experience blatantly de-authorizes a constructivism which, while fighting the power of modern essentialist ideologies of “biology is destiny”, neglected, often to the limit, dimensions of existence where the lived body assumes irredeemable centrality. Grounded on a long ethnographic account of the experiences of blind people in Portugal, strifing with ambivalent sociopolitical implications, these questions will be summoned through the notion of “anguish of corporal transgression”