Solispsismo radical

1- Deixem as leituras de faca e alguidar para os tribunais e deleitem-se com o Quaresma e com o Lucho. É que quando derem por ela o Porto já é campeão pela prosaica, irritante e sistemática circunstância de jogar melhor futebol. Em última instância, como o provam os voos europeus, a arte do futebol portista permite-lhe fugir aos vícios do sistema em que teve que crescer. Nesse sentido o jogo praticado pelo Porto, elevado a arte, é, aqui e ali, a única declaração verdadeiramente anti-sistémica do futebol português.

2- Bom perceber que muita gente se deu enfim conta do medíocre que era CoAdriaanse. A exigência de um futebol moldado pela espera do sublime jamais poderá permitir que se chame excelente a um tipo porque ganhou um campeonato naqueles termos. Fico com a melancólica sensação de não o ter insultado o suficiente.

3- Qualquer tentiva de corrupção nos anos em que o Porto se sagrou campeão representaria, do ponto de vista económico, um investimento supérfluo. Nos anos de Mourinho, então, seria o maior erro de gestão que a memória pós-revolução industrial consegue alcançar. Investimento redundante, portanto.

4- Octávio Machado apareceu triunfante: agora as pessoas começam finalmente a perceber o que ele andou a denunciar, disse. Concedamos: a genuína incapacidade de articular duas ideias em muito favorece a invencibilidade das suas profecias.

5- Pinto da Costa é um homem com azar aos amores, o que, primeiro, permite explicar a sorte ao jogo (quais árbitros!) e, segundo, ao padecer de uma maleita romântica deveria merecer de todos a maior deferência. Ora imaginem - só pela iluminação provida pelo absurdo - que as vossas/os exs se reuniam num congresso cuja ordem de trabalhos era a vossa pessoa. Imaginam as actas, assustador, não?

6- Acho sinceramente que as investigações devem ir até ao fim e a provar-se, entre outras coisas, a autoria moral da agressão, Pinto da Costa não tem como não se demitir. Choque a que eu não teria como sobreviver, mas isso vale pouco.



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