Merche: só para portugueses

Cumprindo a vocação diaspórica do programa, supõe-se, Merche Romero abre o Portugal no Coração desejando feliz Natal a todos os portugueses, frisa, “não apenas aos que estão em Portugal, mas também aos espalhados pelo mundo”. É um clássico lamentável da televisão portuguesa que, envergonha, sobretudo, pelas suas óbvias prerrogativas, a RTP. Nem um tremor ou uma hesitação para pensar que em Portugal existirão pessoas de outras nacionalidades a ver o programa da tarde. Imaginará Merche Romero ― ou o guionista por ela ― de quantas exclusões se faz o vincar desse conceito amplo de portugalidade? É bom que haja um programa que apele à saudade e aos sentimentos de pertença das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, mas tal não implicaria ― como foi o caso ― a acintosa exclusão das comunidades imigrantes em Portugal, naquilo que é um gesto paradigmático da nossa enviesada sensibilidade à migração. Merche, experimenta para a próxima um “Feliz Natal!”. É limpinho.



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