As melhores transições que alguma vez vi


D'OJogo

Admitiu numa entrevista a um jornal espanhol que o modelo que está a utilizar no Chelsea não é o que lhe agrada mais mas sim o que lhe permite mais vitórias no campeonato inglês. Nesse caso, qual das suas equipas melhor coincidiu com os seus gostos pessoais?
- A minha melhor equipa foi a do FC Porto que ganhou a Taça UEFA, o FC Porto que nós construímos no nosso segundo ano, em 2003. Não me recordo de ver uma equipa defender tão bem ou a definir tão claramente os sítios em que queria defender. Fazia as melhores transições que alguma vez vi. E isto tendo em conta o que, ao mesmo tempo, se conseguiu ao nível individual, que foi fazer com que jogadores que ninguém conhecia assimilassem esses princípios. Recordo que eles não tinham estatuto quando chegaram ao FC Porto; Nuno Valente, Paulo Ferreira, Maniche... O próprio Costinha ainda não se tinha imposto no futebol português. Progressivamente, é uma equipa que ganha a Taça UEFA, a Liga dos Campeões e que faz cinquenta por cento da selecção portuguesa vice-campeã da Europa e semi-finalista no campeonato do Mundo. É um grupo de jogadores que passou do nada à Lua; uma equipa que partiu absolutamente do zero, em França, na pré-época. A forma como cresceu foi absolutamente fantástica. Se me perguntar se a equipa do ano seguinte era melhor, talvez fosse. Já tinha melhores jogadores, que já estavam numa fase diferente do seu processo de formação; e contratou-se mais um ou outro, o McCarthy, por exemplo, que veio trazer mais valor. Se me perguntar se o Chelsea de agora é superior, também digo que sim, porque tem melhores jogadores, mas no conceito de equipa, a construção que mais prazer me deu foi a que me trouxe o primeiro campeonato e a Taça UEFA.

- E pensa adaptar o Chelsea ao tal futebol de que gosta, um dia destes?
- O campeão inglês não teria hipótese de ser campeão em Espanha e o campeão espanhol não teria hipótese de ser campeão no campeonato inglês. Quando há diferenças culturais tão acentuadas, é muito, muito importante construir-se uma equipa adaptada à realidade. Depois, quanto mais tempo se trabalha e quanto melhor se torna, deve ser flexibilizada de forma a poder defrontar adversários de diferentes escolas. Mas acho que, como está, o Chelsea é o melhor para ter sucesso na Premier League. Ganhámos dois campeonatos e estamos num terceiro ano em que, sem querermos perder as características que nos permitiram vencer em Inglaterra pretendemos fazer algo mais a nível europeu, daí sermos uma equipa diferente, mais dominadora, mais controladora da posse da bola e dos ritmos do jogo. O facto de jogarmos em simultâneo com Makelele, Essien, Lampard e Ballack fez-nos uma equipa muito mais dominadora. Ao mesmo tempo, mais lenta, com transições menos efectivas, menos poderosas, mas uma equipa com muito mais controlo do jogo e dos ritmos. Isso talvez nos dê melhores condições para sermos bem sucedidos a nível europeu.




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