O ridículo


Por muito que o calculismo financeiro ou que o clubismo regional possam pesar nos jornais de Lisboa, defendo pesadas penas de prisão para os autores de capas como esta: grafismo reles, escudados na ilusão de simetria, tudo para colocarem o Nuno Gomes em primeiríssimo plano (que segundo sei empurrou uma bola para dentro da baliza a passe de nariz de um escocês) e assim trivializarem o Lucho (que segundo sei fez o terceiro golo mais fastástico da noite europeia - após Lampard e Drogba).
Todos são livres de defender os seus interesses, mas eu diria que é do interesse de um jornal desportivo que tem no futebol o seu prato forte abastecer a ilusão que editorialmente percebe alguma coisa do assunto. É nestes momentos que me convenço que as conquistas do Porto tornadas possíveis em democracia não bastaram. Aqui, ao contrário da geopolítica em que as consequências humanas conduzem à vileza, ao morticínio e à escalada do ódio, defendo o princípio: esmagar para sobreviver (em Coimbra quase todos os cafés estavam ligados "no jogo para sonhar" do Benfica ). E já agora, "Noite para Sonhar?!" Não sei de que matéria são feitos os sonhos dos jornalistas do Record, mas caberá lembrar que se trata de um jogo da primeira fase dos grupos da liga dos campeões e que provavelmente até a mãe do Nuno Gomes deve estar entretida com coisas melhores para sonhar e que o Nuno Gomes provavelmente chegou a casa e comeu Corn Flakes e viu um filme de acção para animar a noite.



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