Fomento nacional

Ao contrário dos escritores, que muitas vezes fazem fretes mediáticos para vender os seus livros (se bem que ainda não vi nada parecido ao frete de Alexanda Lucas Coelho, recentemente, ao entrevistar Lobo Antunes), ao contrário dos escritores, dizia, os políticos publicam precisamente para serem chamados à agenda mediática. O Livro é um pretexto que cumpre os seus intentos. Livros como os de Santana Lopes ou de Carrilho têm o mérito de inflectir a lógica mais diarista da agenda política, introduzindo uma reflexividade (ainda que umbiguista) sobre o tempo menos imediato; são, no fundo, a cenourinha a que Fátima Campos Ferreira ou Judite Sousa jamais conseguirão resistir. No entanto, seria bom, parece-me, que as análises mais dedicadas a esmiuçar o médio e o longo tempo da história política não dependessem tão vitalmente de teorias conspirativas, às quais, por mais tresloucadas que sejam, é sempre dado infinito tempo de antena. A televisão está a fomentar um mercado editorial alicerçado na indispensabilidade da cabala e na benevolência para com os "inadaptados" da democracia.



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