Figo: totem à força

"No fundo sempre o soubeste. Ele só tem sentimentos de conjuntura. Na selecção a coisa só ficou elidida porque ali a conjuntura é a estrutura"Sms mandada a um amigo Sportinguista desiludido com os festejos efusivos de Figo no banco após o golo do Inter.

É óbvio que Fico nunca foi Rui Costa que chora ao marcar um golo ao Benfica nem um Fernando Couto que fica sozinho no centro do campo quedo enquanto os colegas festejam um golo contra o Porto. O que eu acho interessante nesta "desilusão" é o quanto ela é injusta. Na verdade Figo sempre mostrou ao que veio e não tem culpa que lhe imputem uma afectividade lírica que claramente dispensa ou reserva para outros domínios (o modo como saiu do Sporting, como foi para o Barcelona após ter assinado dois contratos em Itália ou como saiu do Barcelona já dava um pouco o retrato do seu perfil pragmático, se assim podemos dizer). Os sportinguistas querem fazer dele um Eusébio verde à força e ele coitado, está visto, é um símbolo que insiste em ser gente e, portanto, pouco maleável aos quereres que nele se projectam. Uma maçada.



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