Caso Richards II

Há uma troca assimétrica entre, por um lado, o racismo sistémico que subsiste, insidioso e silente, quer nas linhas de exclusão da nossa sociedade quer no inconsciente colectivo e, por outro, o racismo exuberante, aquele que aparece nos extremos ideológicos ou nos momentos tensos que o resgatam aparentemente do nada (conflito, raiva ou cólera). O racismo sistémico presente/latente em práticas quotidianas de exclusão ganha verbo sobretudo por um humor light que, apesar de light, sempre reclama poder de encaixe e trivialização no visado.

O segundo, o "racismo exuberante" surge em discursos de nostalgia imperial ou esclavagista, na racialização da questões migatórias, na retórica competitiva do desporto ou no insulto interpessoal (o caso de Richards). O racismo sistémico alimenta o racismo exuberante, o racismo exuberante denuncia a presença do sistémico e, paradoxalmente, nessa visibilização retira-lhe espaço de manobra pois que forja limites mais estreitos ao chamado politicamente correcto. O politicamente correcto é um sintoma dos gestos mais cuidados que o racismo sistémico carece para sobreviver sem se expor estigma do racismo.

Richards explica-se:



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