À atenção de Luís Freitas Lobo

As notas de futebol de Luís Freitas Lobo às sextas no público começam a preocupar-me. A abordagem de Luís Freitas Lobo ao futebol é excessivamente enciclopédica --em sentido estrito--, demasiado centrada na teoria da táctica, demasiado carregada de nostalgia geracional (aquela coisa de falar dos jogadores do tempo dele com lágrimas nos olhos). Ademais, como se nota nas crónicas, insiste em ligar o futebol às suas referências culturais e a profusas citações como não resiste àquele choradinho a la Galeano pela devolução do futebol aos seus artistas, choradinho que sinceramente já me comoveu mais. Isto para dizer que as notas de Luís Freitas Lobo às sextas no público valem o jornal e, como diria Paulo Gonzo, "numa palavra": são das melhores coisas da imprensa portuguesa. Preocupante.

Já agora, uma questão para o Luís na esperança de que algum amigo, conhecido ou parceira sexual o faça aqui chegar:

Na ausência de Anderson, a configuração do meio campo portista não deverá ter em conta a tentação do escorpião decorrente das características de Lucho, Meireles e Assunção? Se, como o provou o jogo do Hamburgo, este trio pode cumprir um cabal balanceamento ofensivo, posicionando-se na pressão alta, em busca do resultado, com Lucho e Meireles alternado-se nos territórios de Anderson, parece-me, por outro lado que, quando em vantagem ou em situação contenção de dividendos, se dá um recuo confrangedoramente subserviente e perigoso. Acredito que esse recuo se dá a despeito daquelas que sejam as instruções do treinador, não só pela fragilidade anímica deste (uma questão de carisma), mas devido a uma dramática confluência entre uma psicologia conservadora dos resultados obtidos (e.g. Benfica após 2-0, Sporting todo o jogo, Hamburgo após os 60 minutos) e um retorno aos lugares "naturais" em Lucho, Meireles e Assunção. Luís, um mail será bem-vindo que ando com o sono alterado desde que o Anderson foi à faca. Obrigado.



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