Êxtase

Carlos Carvalho, um leitor do Abrupto, expressava estupefacção perante um constrangedor episódio televisivo por si testemunhado. Nele, um apresentador do programa êxtase, da SIC, surgia a apalpar o rabo de algumas transeuntes 'alegando' ser 'para os apanhados'. Não vi o dito programa, mas nada me custa a imaginar que o dito apresentador seja um senhor que dá pelo nome de Nuno Eiró. Ainda que não tenha sido, sinto-me à vontade para falar pelo pouco que já vi do acima citado. Aliás, só me ocorre questionar como é que a SIC dá tempo de antena a uma personagem que, usando o poder mediático que lhe foi investido, sistematicamente se dedica a fazer um 'humor' que não só é boçal e confrangedor, como, amiúde, profundamente humilhante. É certo que parecem faltar mulheres para o mandar à merda, no entanto, falamos perante um certo viés na medida em que o poder destas gentes actua em dois sentidos:
1- Colocam a capacidade de reacção das entrevistadas reféns do desejo destas em se sairem com graça numa rara aparição mediática (assim engolindo sapos com um sorriso amarelo, o que não deixa de ser pesaroso);
2- Cortam o que não interessa; isto é, mulheres, desejo que muitas, com têmpera para o mandar brincar alhures.

Adular formas, intentar piropos originais e embever-se com a beleza feminina, são, creio, justas e maturadas prerrogativas de uma masculinidade 'languidamente contemplativa'. A humilhante incontinência de testerona mal parada fazendo uso de um 'poder contingente ou estrutural' é outra coisa.

P.s. Como diria o maradona citando oVasco Pulido Valente mas mudando o nome:
Espero que a Fernanda Câncio concorde (e já agora que não conheça pessoalmente o dito apresentador).



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