Nomes forjados

"Eu sempre achei um bocado pateta aquela mania de inventar pseudónimos com ar de ascendência estrangeira ou de solar brasonado nas berças. Ou as duas coisas. Ser o José Silva e passar a chamar-se Martim Holstein da Fonseca para efeitos de publicação de brochuras é o equivalente literário a voltar de 20 anos como trolha na banlieue e construir uma casa gigantesca forrada com 20 tipos diferentes de azulejos no sítio onde os pais costumavam guardar as cabras — para tentar esquecer que os pais guardavam cabras. Eu sempre imaginei que, se um dia precisasse de um pseudónimo para alguma coisa, inventaria um nome tão ou mais indecentemente vulgar que o meu nome verdadeiro. Adília Lopes, por exemplo. É pena que Adília Lopes agora já não possa ser. O que vale é que continuo a não precisar de um pseudónimo para nada."



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