Luís filipe Vieira e a sua Liv Ullman

Até pode ser que Pacheco Pereira tenha razão, mas a análise que faz merece ser domesticada na ambição: de facto é difícil não consentir no modo como a caracterização distópica que JPP aplica ao futebol português parece espelhar com particular exatidão, isso sim, o universo benfiquista e o da selecção nacional/versão Scolari (eu sei, o mais contraditório dos movimentos retóricos: sou fatalmente libidinal no que ao futebol diz respeito). Mais a sério. Para mim, passar ao lado do fenómeno futebolístico português seria perder preciosidades como aquele episódio de um presidente que escolhe um árbitro, sem que a isso chame corrupção ou sem que a isso associe a busca de benefício directo, assim nos legando o valiosísimo conceito de árbitro-fetiche.

Vale a pena reparar no inédito estilo lúdico-confessional que JPP adoptou nesta crónica. É também curioso como esta crónica parece dialogar, no estilo que a forja, linha a linha, com este texto em que Pedro Mexia, analisando o registo do Abrupo, denunciava em JPP uma certa sobranceria moral e a permanência de uma certa estética esquerdista de que a impessoalidade seria a marca mais saliente.



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