3-2

A vitória arrancada a taquicardias não apaga a sublime demonstração de inanidade táctica e motivacional de Jesualdo Ferreira. Que Anderson não tem substituto como playmaker -- nem quem no mundo o bata nos "50 metros com bola colada ao pé" -- todos o sabemos, mas depois de 30 minutos esplendorosos, colocar o Raul Meireles dá um retrato vergonhoso do que possa ser esse tal de Jesualdo Ferreira.

O meio-campo Lucho-Meireles-Assunção podia ser uma combinação perfeita para dar a inicativa ao adversário e assim controlar o jogo de trás com transições rápidas para os móveis Postiga, Lisandro e Quaresma, naquilo que os especialistas chamam de contra-ataque. Mas, vá-se lá saber porquê, o facto é que esse meio-campo é uma merda com bastantes provas dadas. Um pouco de empirismo e o Sr. Jesualdo escusava de se colocar no patamar de consideração que devemos aos professores de educação física que nos tentaram ensinar a saltar trampolins. Depois daquela tragédia em Alvalade (sim, nem o Ivic era tão submisso), ficou claro que esse meio campo não consegue assumir sequer uma pressão baixa de controle, apenas ganhamos uma pressão arterial insultuosa, a total perda compasso do jogo e a total esperança no génio de Quaresma tanto quanto nas maravilhas dos ressaltos em bolas paradas.

Sr. Jesuado deixe de ler Kipling por um bocado e perceba que na ausência de Anderson, o Jorginho, não sendo um fenómeno, cumpre o lugar 10 e confere um personalidade atacante a um grupo que moralmente se ressente dos seus achaques de cobardia -- já para não falar da vergonha que o seu filho deve sentir. A interpretação psicanalítica das suas opções deixo-as para o seu biógrafo que por certo nos falará de algo muito precioso que perdeu na infância, porque fugiu da tropa, do seu gosto por umas chicotadas, etc...
Há opções que são pura cobardia e que nos dizem mais do que gostaríamos de saber sobre a destilaria anímica de tantos anos de banco. Os portistas devem perceber que, sem um movimento social de insulto, o Jesualdo não vai lá.-- Sim, não o deixo cair já. -- Caso contrário o treinador do Porto voltará a ser aquele homem que à frente do Benfica com 11 jogadores se acobardou contra 10 jogadores orientados por Mourinho e perdeu o jogo de joelhos. Apesar de injusta (nos seus termos) a vitória nem me soube assim tão bem: a cobardia sem castigo torna-se num perigoso um modo de vida. E está visto que temos homem para isso.



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