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"O Papa, a Europa e a Turquia", Teresa de Sousa no Público (sem link):
(...) Bento XVI não é João Paulo II. Mas não poderia ignorar o destino mais do que provável das suas palavras, fosse qual fosse o contexto em que as pronunciou. É, pois, legítimo perguntar se este Papa quer redefinir os termos do diálogo com o Islão estabelecidos pelo seu antecessor. E isso é tanto mais importante quanto a relação entre cristianismo e islamismo podem ser para o seu pontificado o que foi o confronto ideológico entre democracia e comunismo para o do seu antecessor.
O que já sabemos do cardeal Ratzinger é que se pronunciou várias vezes contra a adesão da Turquia, argumentando que a Turquia pertence a uma esfera cultural diferente. Do Papa sabemos que, na sua aula da Universidade alemã de Ratisbona, voltou a fazer a defesa veemente do cristianismo como "o criador" da Europa e a sua qualidade racional como o fruto da helenização da Europa. O que sabemos também de Bento XVII é que decidiu visitar a Turquia (no próximo mês de Novembro), num gesto até agora inédito mas ao qual as suas palavras de Ratisbona vieram criar um novo e particular contexto.
A Turquia tem lugar na Europa porque o projecto de integração europeia assenta na comunhão dos mesmos valores políticos da democracia, na mesma crença na universalidade dos direitos humanos, na liberdade e na tolerância. Independentemente da religião, ou da etnia ou da nacionalidade. Que lugar lhe vai atribuir o Papa?



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