L world

Eu, cujos tempos circadianos pouco afinam com a lógica de fidelidade querida pelas séries (ainda que em dvd), fui-me deixando agarrar por uma tal L World que agora passa na 2. Estava a pensar nisso mesmo, nesse insólito, enquanto caminhava para o segundo episódio da noite concedido pela televisão pública. Mas o descalabro adensou-se. O episódio de hoje (são 2:30 da manhã quando vos escrevo) acaba com uma escritora a acordar num motel. Tindersticks a tocar ao fundo, pequenos seios desnudos, mal dormida, só desperta realmente quando, após muito deambular, encontra a aliança deixada em cima da mesinha de cabeceira (o casamento tinha-se realizado na noite anterior para, numa fuga para a frente, superar uma traição lesbiana apanhada em flagrante, mas, como já faria adivinhar a malograda lua de mel, o gajo revelou menos poder de encaixe do que gostaria e foi-se, nitidamente transtornado, para não voltar - supõe-se ). Tindersticks a tocar ao fundo, dizia. A poética de abandono já estaria suficientemente bem coreografada para a minha compleição emocional não fosse dar-se o caso de na minha aparelhagem ter estado, ao serviço, todo o dia, exactamente o mesmo album de tindersticks com que o episódio termina - repesquei-o esta manhã para o palco do meu quarto, sabe-se lá por que sorte. O que me leva a pensar que será melhor seguir a série - também como telespectador - nem que seja por um mínimo de consideração por estas armações transcendentes.



<< Home