O massacre de Quana

Diz o Eduardo Pitta: "O ataque de anteontem matou 54. Mais de metade eram crianças. Quando bombistas suicidas se fazem explodir em autocarros nas cidades de Israel não vejo ninguém preocupado com a curva etária dos passageiros estraçalhados. Por que será?"

Eduardo, muito simplesmente, não é verdade. Basta ir ao google (e eu fi-lo) e pesquisar os arquivos de notícias sobre ataques bombistas feitos a Israel e verás a ênfase sempre dada à morte de crianças. Justamente, acrecente-se, elas representam o mais completo estupor nas vítimas civis. Quana foi um massacre horrendo, e até poderíamos basear-nos na solícita definição de Pacheco Pereira: massacre: matar "indiscriminadamente" "com selvajaria e crueldade". Que isso mereça ser matizado, como o fez Pacheco Pereira -- ou mesmo o Tiago Barbosa Ribeiro -- sob o argumento de que as mortes de civis libaneses não são intencionais, é ignaro, até do ponto de vista do mais básico conhecimento militar. Quando um Governo aprova o tipo de ofensivas que Israel aprovou (escala, intensidade, etc), e não faltam a Israel versados em questões militares, não há tal coisa a que a boa vontade ou o sofismo pudessem chamar convincentemente de unintended consequences.



<< Home