Israel e a atenção mediática

Nuno, certamente que haverá anti-semitas que aproveitam as incursões militares israelitas para cumprirem os ímpetos acusatórios de um ódio há muito instalado.

Mas parece-me pouco razoável fazer do anti-semitismo uma evidência, como o fazes, contrapondo a atenção que o Sul do Líbano recebe com o silêncio ocidental em relação a outras violações de direitos humanos no mundo. É bem verdade que o Médio Oriente merece singular atenção. É verdade que há ruidosa mortandade que nunca nos chega. É verdade que isso é aviltante. Mas, sinceramente, não acho que esse diferencial de agenda faça cintilar o anti-semitismo enquanto hipótese explicativa:
1- Onde os Estados Unidos estão metidos está a atenção mediática mundial, assim como os fartos opositores ao domínio americano no Mundo. A relação entre EU e Israel não é desconhecida por virtualmente ninguém.
2- A zona da Palestina, coração geográfico das três religiões abraâmicas, tem a força simbólica no mundo que conheces. Aliás, o interesse ocidental pela palestina não é uma coisa dos tempos mediáticos, remonta, se quisermos, à atenção dada pelos cruzados à Terra Santa.
3- Do ponto de vista geopolítico, um conflito entre Israel e um país islâmico tem um inigualável perigo de propagação aos core states de um eventual choque de civilizações: EU e Irão. Coisa dificilmente negligenciável.

Que o anti-semitismo existe, não se discute, mas é um pouco forçado adivinhá-lo na origem das dinâmicas da agenda política e mediática.



<< Home