A vizinha do fantástico

Telemóvel a tocar. Apresenta-se, simpatia de voz portentosa, um fotógrafo passional a quem a idade haveria de trazer a cegueira. Agora entregue ao tacto e às lides da olaria. Com a paciência que já não se usa, conta-me a sua história: as mulheres, Macau, a câmara escura, as exposições irónicas no arco de cego, os descolamentos da retina, o "seu livro que me está a ler a vizinha, uma jovem", a bengala que não larga, os caminhos das acácias, os sargaços, os nomes idos antes de 33, o coleccionismo, as feiras, o gosto pelas coisas, a voz da vizinha, "venha cá beber um copo".



<< Home