Tréguas?

O fundamentalismo islâmico e as suas derivas terroristas alimentam-se sobretudo nas novas gerações, urbanas, escolarizadas e informadas. Nada o pode justificar, nada o torna menos vil, mas ignorar como ele se alimenta simbólica, politica e socialmente, quer de injustiças emblemáticas (como a ocupação da Palestina), quer de disparates colossais (como a invasão iraquiana), é passar totalmente ao lado da genealogia desse terrorismo não-estatal inflamado pelos usos bélicos da teologia.

O que Israel está a fazer neste momento, ao seguir com a guerra, sem pestanejar para equacionar um cessar-fogo ou sequer um intervalo para ajuda humanitária, está a semear forte indignação pelo mundo. Esta indignação é politicamente debatível na medida em que muitos percebem a investida israelita como a necessária "determinação bélica" com que Israel se preserva. Nem vou discutir (já o fiz), mas, para lá de juízos outros (mesmo para quem defende a "determinação bélica") importará ter a percepção de que está forjar um perigoso senso-comum sobre a prepotência e insensibilidade israelita ante as populações libanesas. E isso, pelo rancor que gera, significa dar aos extremistas islâmicos uma infinda base se recrutamento de jovens em ponto de rebuçado para serem cativados por iniciativas terroristas. A luta contra o terrorismo assim encetada é uma actividade primária de disseminação de rancor que a indústria do terrorismo não estatal não tardará em a rentabilizar. E atenção que não estou a discutir outra coisa que não estratégia.


Já agora: o anti-semitismo é isto que as comunidades islâmicas aqui vilipendiam: um ódio que jamais saberá distinguir o judaísmo e a identidade judaica das políticas do Estado Israelita.



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