Ronaldo

Nem o Ronaldo é um vaidoso apenas preocupado com a sua telegenia futebolística, nem é o libertador criativo que, com o seu futebol espectáculo, desagrilhoa o futebol da disciplina táctica. É alguma coisa entre isso. Entre o futebol rebelde que dá gosto (é lindíssimo vê-lo pegar na bola, mesmo quando falha um passe artístico como ontem) e uma vaidade que, de tão holywoodesca , já nada tem a ver com o vício de futebol que cartacteriza um individualista à antiga. Com o mesmo gosto pela bola, Ronaldo foi mais jogador e mais adulto no Euro 2004. Em 2004 eu vi um choro comovente, em 2006, alegria e tristeza, tudo me parecia exuberanteente cinemático. Neste mundial notou-se em Ronaldo uma incessante frustração. Isso é bom, porque não se conformou em cumprir tacticamente em prol da equipa sem que tentasse rasgos, como haveria de se conformar o pobre Ronaldinho. E é mau, é mau porque essa frustração revelou sobretudo uma ansiedade em vincar sua própria notoriedade nos anais. Prefiro a "ética" da inconsciente sede de bola no insuportável individualista -- que Ronaldo já foi e Quaresma ainda é.



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