Pré-condições do debate

Dou de barato: há afinidades que tendem a estruturar a opinião por pré-concepções políticas nos conflitos que deflagram no Médio-Oriente. A propensão da maioria da esquerda tem sido de oposição ao Estado Israelita face à ocupação territorial, face às condições que as populações palestinianas têm sido sujeitas, face ao apoio dos Estados Unidos a Israel e face à denúncia de um terrorismo de Estado nos termos em que o exército israelita tem exercido a sua hegemonia militar. Concordo que as premissas estruturais riscam em forjar a leitura das situações particulares retirando-lhes complexidade, inocentando o que não pode ser inocentado, demonizando o que, apesar de tudo, obriga a um exercício de compreensão (diferente de aceitação, o meu relativismo epistemológico está tanto ao serviço do fundamentalismo islâmico como dos excessos do Estado Israelita). Sei que tenho um viés estrutural que, talvez com simplismo, ao longamente identificar a Palestina como a parte fraca e ao identificar Israel como crónico desrespeitador de resoluções internacionais, mais prontamente me leva a apontar o dedo a Israel (de cujo Estado espero mais do que da maioria das organizações fundamentalistas islâmicas). É um viés prévio que sei existir e que procuro domesticar de molde a combater a estreiteza desse "horizonte de trincheira". Ainda não expressei a minha opinião sobre o presente conflito, aceito, quando o fizer, que então me acusem de simplismo e preconceito político. Agora, lançarem, como por aí tenho visto, o leviano arremesso do anti-semitismo a todos que, talvez com viés ideológico, se apressam a condenar Israel, parece-me um golpe demasiado baixo. Para ser sincero, é minha opinião, decerto polémica, que o histórico anti-semitismo anti-judaico (assim como a experiência do holocausto) mais ajudam a compreender a ferocidade israelita do que o alinhamento preconceituoso (conceda-se) da esquerda ocidental.



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