O problema das fórmulas simples

Diz a Fernanda Câncio (que tanto prezo, ressalvo), para simplificar: "não discuto a existência do estado de israel. não admito sequer que isso esteja em discussão. e se isso é todo um programa bélico, que seja"

f. concordo inteiramente com essa tomada de posição -- onde é que eu assino? como diria o outro -- mas parece-me francamente deslocada daquilo que está em questão no terreno; mais: face ao quadro nas últimas décadas, Oslo and so on, não é uma questão mínima, é uma não questão. Portanto:
Primeiro, quer-me parecer que uma hipotética questão sobre o direito de Israel a existir nada tem a ver com este conflito (faria sentido em 1948 ou em 1967). Hoje, sinceramente, reconhecido que é poderio militar israelita, reconhecido que é o apoio americano, e apesar do Hamas se esquivar a reconhecer Israel por mera birra orgulhosa, esta questão não se coloca (nalgum slogan político eventualmente) para o mais inflamado extremista anti-Israel (a menos claro que Irão partisse para o nuclear, mas aí não era o Estado de Israel que estava em causa, era tudo). Todos sabemos que a mera retirada isrealita dos territórios ocupados é há muito um sonho molhado para Hezbollah e Hamas, sendo este o desígnio máximo que vem conferindo sustentação social e política a estes grupos.
Segundo, por essa linha de argumentação, se invertermos a questão, tornando-a decerto menos anacrónica e mais adaptada às dinâmicas da geopolítica contemporânea, poderíamos chegar a algo como isto: "não discuto a manutenção de Israel nos territórios ocupados, e se isso é um programa bélico, que seja." Quem o diz? É com tamanha simplicidade que se faz a causa política do Hezbollah e do Hamas, sendo que o tal programa , à falta do prestígio bélico dos Apaches, se vem cumprindo por intermédio do vil terrorismo.



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