O que aí vem

Numa deliciosa palestra a que tive o ensejo de assistir há poucos dias, Immanuel Wallerstein, sim ele, chamava a atenção para a centralidade crítica de um actor geopolítico que no seu entender tem sido estranhamente ignorado pela opinião pública ocidental. O americano referia-se à Organização de Cooperação de Xangai, uma organização que foi criada pela China e pela Rússia há 5 anos em Xangai e que conta hoje com quatro repúblicas da Ásia central (Cazaquistão, Quirguistão, Tajiqiestão e Uzebequistão), a que se juntam, com o estatuto de membros observadores, a Índia, Paquistão, Mongólia e ... o Irão

Dizem alguns profetas da geopolítica que o mundo aposto a hegemonia unipolar americana se desenha já nesta "Nato euroasiática". Vem isto a propósito do artigo de Loureiro dos Santos hoje no público, à vossa atenção. Quanto ao efeito dos neoconservadores sobre a hegemonia americana, Wallerstein não poderia ter sido mais cáustico. Os mais tenazes imperialistas tinham todas as razões para detestar W Bush, mas, e aqui falo eu, devem-se ter deixado inebriar por naquilo a que Norbert Elias designou embriaguez imperial. Vão por mim que até nem sou de imperialismos: a ressaca é sempre imprecisa mas nunca agradável.



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