Mas custa

Muitos comportamentos que se conformam com aquilo a que poderíamos chamar afirmação de masculinidade -- da exaltação da violência gratuita à misoginia militante -- são frequentemente caricaturados como produto de um excesso de testosterona nos machos em causa. Ora, percebendo a natureza do exercício de masculinidade quotidianamente performado no trânsito, nos piropos de mau gosto, no achincalhamento dos "maricas", deve-se supor que a referência ao excesso de testosterona até seja acolhida como elogiosa. É afinal isso que os machos em constante ritual de afirmação procuram provar.

Isto dito, quer-me parecer que a descrição que mais explica (ao mesmo tempo que caricatura) essa masculinidade incontida, nos remete para o conceito de testosterona mal parada (inventei-o, quero acreditar). Assim se explicando, em segunda ordem, um putativo excesso de testosterona.

p.s. Quando não é vivida em negação, a testosterona mal parada não é um mal em si e até se oferece a registos de inegável candura e beleza poética, como aquele dizer que o Pedro Mexia cita "Mas custa. Não se fode" (a citação é recolhida do blue velvet).
Testosterona parada com classe, portanto.



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