Escolha o seu



Estas duas fotos que resgatei do site do mundial guardam dois momentos cujo contraponto se me oferece esmagador. Na primeira foto, Ronaldinho é assediado por uma fã durante um treino. Na segunda, vemos uma anónima beijar Maradona antes do jogo entre a Argentina e a Costa do Marfim.
Apetece especular no tanto pode ser dito quando confrontadas estas frames de real:
A superioridade moral da decadência face ao estrelato. A elegia da melancolia como mais fiel companheira da beleza. O anelo que só o convívio com a vulnerabilidade ensina. A diferença entre o Brasil, feito da alegria e do gozo, e a Argentina, enculturada no futebol como uma questão de vida ou morte. O olhar que espera a loura e o que exercita a nostalgia.

Onde eu preferia estar? Dir-me-ão os mais avisados que é por demais dilemática a escolha entre o lugar do Ronaldinho e o lugar do Maradona. Mas não, é simples. Quem se enleia com o futebol para além da magia fátua dos seus artífices, honestamente, só pode desejar estar no lugar da morena.



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