Coisas de homens

Robben festeja golo sobre Sérvia e Montenegro

Num quadro de valores vigilante da proximidade corporal entre homens, o momento do golo, tal como o tempo calendarizado do Carnaval, é um momento de 'anti-estrutura' (Victor Turner) em que as transgressões à norma são sancionadas e celebradas. Lembrarão um golo da Bulgária festejado com ostensivas carícias nas nádegas do marcador. Este 'consentimento' no futebol -- esta permissividade da homofobia ao momento o golo -- é tão mais interessante porque está escudada. Explico: quero crer que, para além da trascendência social incitada pelo milagre do golo, a 'permissividade' que a foto ilustra também deve ao capital de virilidade (e portanto à masculindade inequívoca) que os jogadores detêm em nome do desporto que praticam.



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