6-0

A minha Argentina segue robusta, excelentes jogas, melhores resultados.
Mas ando preocupado. É que a Argentina anda a jogar como um todo orgânico... como uma equipa, diria. O jogo colectivo é tal que Sorin pode ser o melhor jogador sem escândalo (não falha uma jogada, o gadelhudo). Está errado. À Argentina cabia jogar razoavelmente no que aos 11 diz respeito, devia estar pejada de défices e assimetrias só colmatáveis por uma insuportável dependência num kempes, num Maradona. Assim não dá. Riquelme é aquilo. E aquilo é bom, mas pronto. Tevez, Aimar ou Messi, já só são pensados como cerejas em cima do bolo e a equipa bem jogante dá-se ao luxo de não precisar desesperadamente dos seus rasgos. Arrogância comunitária, pois claro. Oxalá me engane, mas tenho um mau pressentimento. Para uma Argentina com pretensões de chegar ao título esta é uma equipa demasiado boa. Falta-lhe espera mitopoética num homem dos arrabaldes, falta-lhe a orfandade de um génio que se necessita dopado, falta ali o ansioso espectro de um tesão salvífico. Ainda assim, aguardo que a qualquer momento um desespero nos irmane, como outrora: é esta a minha equipa.



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