Logística histórica

Descida da Cruz (1612-1614), Rubens.
«worshippers could see was this scene from the legend of St Christopher, whose Greek name 'Christophorus' means 'Christ-bearer'. This fact forms the key to the entire painting, in which the friends and holy women in the centre panel, and Mary and Simeon in the wings are also 'Christ-bearers'.»

O princípio de sobrevivência católica: "incorporar o que já não se consegue extirpar", forjou uma insólita tensão histórica e teológica entre, por um lado, a centralidade de um Jesus obediente à institucionalidade imperial (claro está, trono e altar), e, por outro, uma panóplia de adorações nas proximidades da "idolatria bíblica": adoração lateral à divindade, inconofílica nos seus termos, profusamente acossada no texto bíblico.

Não vou muito à bola com santos e as figuras de adoração (dão para inenarráveis de toda a espécie ao serviço de localismos e carências psicanalíticas, mas, ainda assim, cabe distinguir uma Lúcia de um Francisco -- cujo nome quererá dizer o pequeno francês). Tampouco me deixo ludibriar pelo Jesus conveniente de que a Igreja se apossou, mesmo a despeito dos envagelhos que canonizou nos primeiros tempos (lá jaz um Jesus em todo o caso suficientemente interessante, figura que de modo algum me envergonha a fé -- aparece já mais "massajado" no evangelho-não-sinóptico de João).

No entanto (estava a tardar algum sentido neste post), não deixo de considerar delicioso o modo como a sede de individualidades de adoração, satisfeita ao longo dos séculos, nos confere momentos como o que é retratado no quadro de Rubens. Imagens dos bastidores da história. A pretexto de Cristóvão, diz-se, o homem que segurava Jesus.



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