Moçambique

Quando regressei de Moçambique poucas coisas me fizeram mais confusão. Não imaginam as inúmeras pessoas que me vinham falar com olhos chorosos, aproveitando-me para evocarem a África onde viveram e comçeram a ser gente. Só vizinhos conto três. O dono da Loja de Ferragens aqui da rua traz no carro um autocolante alusivo ao Carnaval do Lobito. 1968, acho.

Não duvidem, há por aí todo um subtexto biográfico carente de lugares de enunciação, um subtexto que sobrevive na forma de memória e saudade. O facto de eu ter estado em Moçambique serviu à elicitação dessas memórias, nalguma medida censuradas pelo imperativo de redenção pós-colonial. Mas, na verdade, a crítica do colonialismo em que essas pessoas efectivamente se instalaram não esgota a sofrida lembrança desses tempos e lugares deixados para trás. A juventude, os mangais, as chuvas, os amores, os pretos e as praças .

"Nostalgia Imperial" (Renato Rosaldo) com lirismo junto. É, estranho, mas é mesmo assim.



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