A Escola da Noite

foto de augusto baptista
muito se tem dito sobre os espisódios lamentáveis que vêm marcando a política cultural em Coimbra. É-me um pouco bizarro perceber o autismo institucional reinanante, por um lado, e, por outro, o bairrismo àvido em desqualificar as vozes dos não-conimbricenses-encartados, sob alegação de que Coimbra não aceita lições de ninguém e, gesto infanto-juvenil, logo acorrem os poderes camarários ao patético slogan: Coimbra é uma lição. Está bem abelha. Será, pois então, uma lição de continuada degradação. Pena é que Coimbra pouca atenção mereça das agendas mediáticas nacionais, assim permitindo que as tropelias que se aqui se vão fazendo prossigam em relativo clima de impunidade. Transcrevo aqui o excerto de um artigo publicado pela associação Pró-Urbe, sobre a situação escandalosa vivida pela “Escola da Noite", companhia teatral cuja actividade, ao que parece, vem sendo tida como lesiva dos altos desígnios da autarquia :

(…) Vem isto a propósito do anúncio recente da eminente paragem da actividade d’A Escola da Noite por problemas financeiros graves, resultantes do não pagamento do subsídio da Câmara Municipal de Coimbra à actividade do grupo para 2005 (e atenção que não é gralha: actividade do grupo para 2005).
(…) A Escola da Noite é a primeira companhia de teatro profissional a nascer em Coimbra e foi devido à sua existência e actividade que foi edificada a Oficina Municipal do Teatro (onde ficará companhia residente o Teatrão) e o Teatro da Cerca de São Bernardo. É uma estrutura que o Ministério da Cultura, a Universidade de Coimbra, o Ministério da Educação, a Fundação Calouste Gulbenkian, entre tantas outras instituições, têm reconhecido como a interlocutora na prestação de serviço público de teatro na cidade.
Naturalmente, causa-nos grande preocupação a situação da companhia, que se limita a pedir o cumprimento do acordo. Mas, tão ou mais preocupante, é a forma como os responsáveis da CMC, depois de forçados a responder, tratam a resolução desta questão: pagam quando pagarem! E vão avisando de que não são susceptíveis de ceder a pressões mediáticas provocadas pela companhia.
Neste momento importa-nos então saber se esta Câmara é capaz de cumprir com o que se compromete. Afinal, a responsabilização dos autarcas pelo cumprimento das deliberações que aprovam não pode ser entendida como uma pressão à qual será dada resposta quando for... Às acusações recentes de indefinição de uma estratégia cultural para a cidade temos que nos.
Na resposta a Eduardo Prado Coelho, Carlos Encarnação queixou-se que o que estava em discussão era o montante dos subsídios e não a política cultural da autarquia. O que tem Carlos Encarnação para dizer agora que já não é o montante dos subsídios mas o seu pagamento que está em causa? Será que para quem foi correcto falar em “amiguismo” é correcto falar em “caloteirismo”? Será que pode continuar a afirmar, como o fez então, que Coimbra, “sem prejuízo das opiniões contrárias”, é “uma lição de responsabilidade”? (…)



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