Benfica

Não por nacionalismo, certamente, mas torci pelo Benfica (não gosto de Benitez). O Benfica paulatinamente vai-se libertando do ridículo desportivo de que se fez sinónimo nas últimas décadas. Esse ridículo sedimentou-se pela bipolaridade vivida pelos seus adeptos -- continuamente errando entre euforias mirabolantes e experiências de compleição depressiva -- e por uma perda do princípio de realidade em favor de um passado épico (nesse sentido há profundas afinidades entre a massa adepta benfiquista e o movimento cidadão fundado por Manuel Alegre).

Mas, e por isso escrevo, é curioso perceber como esse património de ridículo, agora negado por um progressivo reajuste entre expectativas e resultados, retém ainda o dom histórico de encher de vergonha os adversários batidos (sei do que falo, graças a CA). Perder com o Benfica, esse mito histórico que tanto fez pelo nosso anedotário -- bem convocado por inteligentes benfiquistas como honrosa forma de coping -- enche de patético qualquer clube: é como perder o óscar para o "Fim de Semana Lusitano". Os ansióliticos em Liverpool nunca serão suficientes. Talvez a reposição massiva dos Monty Phyton, enquanto forma de dialogar com a comicidade do absurdo, fizesse bem àquelas gentes. You'll never walk alone diziam eles. Hoje, como nunca, a lealdade do adepto do Liverpool foi disputada pela necessidade de preservação de dignidade humana. Mal posso aguardar para perceber que título merecerá amanhã a capa d´A Bola (uma convulsão inédita de superlativos é previsível) .

Parabéns Benfica, agora é continuar, para a frente, quem joga com Beto e ganha ao campeão europeu, só pára na Intercontinental. Digo eu.



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